Imóveis com apenas uma garagem estão, cada vez mais, perdendo a preferência de quem pretende comprar ou alugar uma casa ou apartamento. Por sua vez, os que possuem no mínimo duas vagas para estacionar veículos são garantia de venda a um preço de 10% a 15% maior.
A constatação é do presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva.
Segundo ele, casas mais antigas acabam ficando “paradas” por mais tempo no mercado de compra e locação justamente pelo fato de possuírem apenas uma vaga. O mesmo vale para imóveis construídos próximo à calçada, posição que dificulta reformas para ampliação da garagem.
“Quando a pessoa liga interessada, principalmente em bairros da Zona Sul ou na BelaVista, Vila Falcão e Vista Alegre, a primeira coisa que perguntam é a respeito de garagem”, constata Martinho.
A falta de garagem - ou espaço para construí-la - é um problema ainda maior quando o interessado pretende comprar o imóvel. “O aluguel desses imóveis até sai mais fácil, porque é uma coisa passageira”, diz o presidente da Aciba.
Em função da pouca oferta, há quem simplesmente não encontre casas com duas garagens no bairro escolhido para morar, mesmo para aluguel. O estudante de Direito Roberto Quinzan, 25 anos, relata que está há dois meses procurando uma casa com duas vagas para carro na região central da cidade, onde sua esposa trabalha.
“No Centro não se acha imóvel com duas garagens”, afirma Quinzan. E completa: “São construções muito antigas, que às vezes nem garagem têm.” Por conta disso, o estudante afirma que já está pensando em procurar casa em outros bairros, mais distantes do trabalho da esposa.
Como Quinzan quer apenas alugar um imóvel, a possibilidade de comprar para depois reformar é inviável - também devido ao custo. “Eu não estou com muita pressa, mas já faz dois meses que estou procurando e ainda não apareceu nada que me interessasse”, afirma.
O presidente da Aciba também prevê que dentro de pouco tempo o requisito mínimo da garagem já será para três vagas. “Hoje a pessoa faz a casa recuada, dentro da possibilidade do terreno, para que possam caber mais um ou dois carros descobertos também”, afirma Martinho.
Prédios
De acordo com o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Ralph Ribeiro Júnior, já há prédios de alto padrão em São Paulo que oferecem até seis vagas na garagem para cada apartamento. No Itaim Bibi, bairro de classe média-alta da Capital, um condomínio disponibiliza garagens individuais e fechadas, em lugar de vagas num estacionamento de uso comum.
Em Bauru, o “fator garagem” não chega a ser um grande diferencial nos edifícios, mas Ribeiro Júnior afirma que há prédios de alto padrão que oferecem três ou quatro vagas para cada apartamento. “Depende muito do público que se quer atingir”, indica.
Segundo ele, na planta do imóvel, uma vaga significa cerca de 25 metros quadrados a mais de área, o que pode implicar em custos nem sempre desejáveis para os condôminos ou para a construtora. “Tudo é uma questão de custo”, diz o diretor do SindusCon.
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Estudantes
Quase dois meses após o início do ano letivo nas universidades e faculdades de Bauru, boa parte dos apartamentos voltados para os estudantes continuam vazios, segundo o presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva.
Ele afirma que, apesar da “múltipla escolha” à disposição dos estudantes recém-chegados, a oferta é maior que a demanda. “O problema é que foram feitos muitos (prédios desse tipo)”, diz Martinho. Um passeio pelas ruas do Jardim Brasil e Jardim Panorama, próximos à Universidade do Sagrado Coração (USC), comprova a informação.
Em função disso, o reajuste nos valores de aluguéis, previsto para cerca de 20% neste período, não deve ocorrer. “A jogada hoje, para certos imóveis, é manter o mesmo valor”, diz Martinho. “Se reajustar, a pessoa acha outro mais barato”, completa.