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Cidade pode ter kartcross

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma modalidade que mistura a perícia e a agilidade do kart à adrenalina das corridas de motociclismo na terra. Esse é o kartcross, esporte que um grupo de amigos bauruenses liderados pelo técnico mecânico Mauro César dos Santos quer implantar em Bauru.

Para a idéia tornar-se realidade, ele pretende montar uma associação de kartcross e até já desenvolveu um protótipo do “carrinho”, um veículo tubular monoposto destinado ao uso off-road. Mauro conta, ainda, com o apoio de colegas que, além de manifestarem interesse na compra de mais dez unidades, já são proprietários de cinco modelos kartcross.

“Com esta quantidade, até daria para organizar uma prova em Bauru. Mas o ideal é que mais pessoas participem. Por isso, planejamos realizá-las apenas no segundo semestre”, considera Mauro. Enquanto isso, ele enfatiza que também batalhará para arrumar um local para as competições.

Inicialmente, o objetivo é solicitar à Prefeitura Municipal a construção da pista em uma área vizinha ao Sambódromo. “É o mesmo lugar que há alguns anos iniciaram-se as construções de uma pista para a disputa do campeonato de autocross (gaiolas com mecânica Fusca). Desta forma, ajudaremos em sua conservação, pois atualmente se encontra abandonada”, afirma ele.

Apaixonado por competições automobilísticas e piloto de motos já há cerca de oito anos, o técnico mecânico defende com unhas e dentes a modalidade esportiva, que já é tradicional em cidades paulistas como Sumaré e Piracicaba. “O kartcross é democrático e não há limitação de idade, pois podem correr, nas suas respectivas categorias, pilotos de sete a 80 anos.

O protótipo

Para construir o protótipo, Mauro aproveitou os conhecimentos adquiridos como aluno do Colégio Técnico Industrial da Unesp/Bauru e baseou-se no regulamento das federações paulista e brasileira de automobilismo.

Apesar disso, ele não teve vida fácil e suou para concluí-lo. “Fiz o primeiro em 2000, mas como todo experimento estava sujeito a erros. Mas neste último, que tornou-se a segunda versão, consertei todas as suas imperfeições e agora está em plenas condições de rodar”, frisa Mauro.

O veículo é um kart com motor quatro tempos de moto - o de uma Turuna de 18 cavalos de potência - recoberto por uma carenagem. Tem peso de 160 quilos, 2,35 metros de comprimento por 1,35 metro de largura e 1,40 metro de altura e, segundo Mauro, pode atingir em pistas de terra a velocidade máxima de 90 km/h. A partida, como nas motos, é a pedal e os pneus dianteiros são de carrinhos de mão.

Além disso, Mauro “modernizou” o veículo adaptando peças de automóveis, como o filtro de ar e rolamentos, e criando um câmbio semelhante aos utilizados pelas equipes da Fórmula 1, que permite as trocas de marchas no volante. E, a exemplo dos carros, possui os três pedais: acelerador, freio e embreagem.

Mauro destaca que a principal vantagem do kartcross é ser um veículo de baixo custo de aquisição e manutenção que ele pretende comercializar a um custo dentro da realidade econômica atual.

Piloto de motocross e enduro durante dez anos, Mauro já quebrou pelo menos nove ossos e “conquistou” várias lesões nos ligamentos durante esse período. Por isso, ele enfatiza que a nova modalidade é uma maneira mais segura de praticar esporte na terra. “Queria uma nova opção no off-road que pudesse a continuar a ter emoção, mas com menos perigo. Aí a solução foi o kartcross”, diz ele.

Comparado ao kart convencional, o veículo realmente proporciona uma condução mais segura. O piloto é totalmente protegido por uma sólida carroceria tubular, que garante a integridade física do piloto em caso de algum acidente, e por um cinto de quatro pontas instalado no banco em forma de concha. “Ele não permite as decolagens, características comuns aos karts quando há colisões”, explica Mauro.

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