Auto Mercado

Citroën abre concessionária em Bauru

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

O sotaque francês está cada vez mais forte em Bauru. Depois da Renault e da Peugeot, agora foi a vez da Citroën inaugurar uma concessionária na cidade: a Lumière, que se tornou a 57.ª - de uma rede que se pretende chegar a 90 até 2005 - unidade completa de vendas e serviços da marca no País.

Liderada pelo empresário Luiz Carlos Bianchini, a concessionária tem uma área total de 2300 metros quadrados, com área construída de 1600 metros quadrados, e abriga um prédio que possui show-rooms para veículos novos e seminovos, setor administrativo e oficina. Entre outros serviços, oferecerá ampla linha de acessórios, test-drive de automóveis, despachante e corretora de seguros.

Bianchini, proprietário de uma agência de veículos de igual nome em São José do Rio Preto, ressaltou que a decisão de investir em Bauru levou em conta aspectos que a confirmam como um importante pólo econômico da região noroeste paulista.

A boa localização é um deles. “A cidade possui uma população fixa de aproximadamente 330 mil habitantes, mas, quando somada aos dos municípios próximos, como Lins, Botucatu, Jaú, Marília e Lençóis Paulista, encontramos um grande potencial de vendas, tanto de produtos quanto de serviços”, enfatiza Bianchini.

Por isso, e levando-se em conta as potencialidades do mercado automotivo bauruense e regional, o empresário revela pretender comercializar cerca de 230 veículos novos anualmente. “Com a chegada do C3, o modelo compacto que chegará ao mercado no início de junho, esse número poderá subir ainda mais”, frisa ele.

Da linha de produtos Citroën que será disponibilizada pela concessionária, os destaques ficam por conta do monovolume Xsara Picasso, que tornou-se o primeiro automóvel da marca a ser fabricado no País - a exemplo do C3, na unidade industrial carioca de Porto Real -, e o luxuoso sedã médio C5.

O modelo Xsara, nas versões três ou cinco portas e Break (station-wagon), o veículo de passageiros de uso misto Berlingo e o comercial leve Jumper completam o leque de produtos da montadora francesa.

Mercado nacional

A história dos automóveis populares começou em 1992, quando a Fiat lançou o Uno Mille. Desde então, todas as montadoras investiram no segmento. A Fiat lançou Palio, Palio Weekend e Siena. A GM respondeu com três modelos Corsa (hatch, wagon e sedã), além do Celta. A Volkswagen apostou no Gol, Parati e Polo 1.0 e a Ford no Ka, Fiesta e, recentemente, o Ecosport. Renault Clio e Peugeot 206 também entraram na disputa.

Assim, os veículos 1.0 ganharam espaço em progressão geométrica no mercado brasileiro de automóveis, a ponto de, atualmente, responderem por mais de 70% das vendas no País.

Entretanto, a grandeza dos números, que evidencia o potencial do segmento, não seduz a Citroën. Exemplo disso é que, em toda sua linha, a montadora não oferece nenhum veículo dotado com a motorização 1.0 litro. Motivos para isso não faltam, segundo os executivos da montadora.

O gerente nacional de vendas da Citroën do Brasil, José Luciano Carvalho, explica que a contínua tendência de queda do segmento é uma das razões. “Hoje o índice de participação dos populares no mercado, que já alcançou os 83%, é pouco maior que 70%. As recentes alterações no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) acirraram ainda mais a competição, provocando uma verdadeira carnificina entre as marcas”, considera ele.

Por isso, acrescenta Carvalho, a Citroën continua a operar no restrito mercado de automóveis com preços superiores aos R$ 25 mil. Nem mesmo o próximo lançamento da marca, o C3 1.6 16V, parece ter chance de ganhar uma versão “popular” “No momento, não temos nenhuma perspectiva de ingressarmos nesse nicho”, enfatiza o gerente.

Também pesa nessa decisão o desempenho da montadora nos setores de mercado em que disputa atualmente. Domingos Boragina Neto, diretor comercial da Citroën do Brasil, destaca que os carros-chefe da marca vão “muito bem, obrigado”.

Ele cita o Xsara Picasso, responsável por 75% das vendas da montadora e que acumulou, nos dois primeiros meses do ano, 2892 unidades comercializadas, consolidando-se como o líder do segmento dos monovolumes. Já o “top” de linha C5 manteve-se à frente entre os sedãs médios de luxo em 2002, com 1505 modelos estacionando nas garagens de consumidores.

Ambos contribuiram para a marca totalizar, em 2002, mais de 18 mil veículos vendidos e atingir os atuais 7,3% da participação do mercado nacional de automóveis. Para 2003, a Citroën estima alcançar mais de 24 mil unidades comercializadas.

• Serviço A Lumière localiza-se na avenida Dr. Adolfo Miraglia, 2-56.

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