O Partido Progressista Brasileiro, PPB, encurtou a sigla. Desde ontem, passou a se chamar PP, Partido Progressista. Para o presidente da executiva municipal da legenda, vereador Paulo Madureira, a mudança vai possibilitar ao eleitor uma melhor assimilação da sigla.
“Com três letras, era fácil confundir o PPB com PTB, por exemplo. Com apenas duas, que é o caso do PP, ficará mais fácil para o eleitorado guardar a sigla”, avalia Madureira.
O parlamentar acredita que a alteração, aprovada ontem pela executiva nacional do partido, já visa a reforma político-partidária que o Congresso Nacional começará a discutir ainda nesse ano.
“Com certeza, vão ocorrer unificações de partidos. O PP será uma sigla interessante”, prevê. Em nível local Madureira diz que a alteração pouco significará.
Mas ele adianta que militantes e lideranças da legenda se movimentam com vistas às eleições municipais do ano que vem. “Temos um quadro estável de filiados. Nosso partido ainda é o melhor para os pretendentes que desejam disputar a Câmara Municipal”, elogia.
A mesma opinião tem o vereador José Eduardo Ávila, que automaticamente passa a ser filiado do PP. “Também acho que do jeito que estava era muito confuso. Agora, é partir para o trabalho com essa nova dinâmica”, diz.
Convenção
Na avaliação de analistas políticos, o objetivo da redução do PPB para PP é um só: eliminar o simbolismo que ligava até hoje as três letras da legenda ao ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf.
Fundador do PPB, o ex-prefeito deixou ontem a presidência da legenda no mesmo instante em que o “B” desaparecia do nome, apesar de nada mais mudar no estatuto.
Ele agora ocupará o cargo simbólico de presidente de honra do PP. Em seu discurso, Maluf agradeceu o apoio durante os anos em que liderou o partido e relembrou sua trajetória.
“Sou uma espécie em extinção: nunca mudei de mulher e nunca mudei de partido”. Embora procurando evitar ligar diretamente a mudança de nome com a tentativa de desvinculamento do malufismo, os novos dirigentes não esconderam que procuram “tempos novos”.
“Precisamos encontrar uma identidade e um novo rumo para o partido. O PPB era um partido estigmatizado por ter sido criado por pessoas que participaram da revolução (movimento militar de 1964)”, afirmou o deputado Pedro Corrêa (PE), que assumiu por consenso a presidência do PP.
“Estamos mudando a cara do partido. Ele não é mais de uma pessoa só, é de todos os membros”, afirmou o deputado Augusto Nardes (RS), eleito segundo vice-presidente.
A verdade é que a trajetória política de Maluf se confunde com a árvore genealógica do PPB. Maluf iniciou a carreira política na Aliança Renovadora Nacional (Arena), que dava sustentação política ao regime militar (1964-1985).
Com a volta do pluripartidarismo, em 1979, Maluf liderou o PDS na tentativa de se tornar o primeiro presidente civil depois do regime, em 1985. Sua intenção foi torpedeada dentro do próprio partido, o que resultou em uma dissidência que deixou a legenda e acabou apoiando a candidatura vitoriosa de Tancredo Neves (PMDB), eleito pelo Colégio Eleitoral em janeiro de 1985.
O PDS continuou a existir até 1993, quando Maluf, então prefeito de São Paulo, articulou a fusão da legenda com o PDC, criando o PPR. Dois anos depois, uma nova fusão, desta vez com o Partido Progressista, resultaria na criação do PPB.
O curioso é que o PP que tem hoje Maluf como seu presidente de honra é homônimo de partido dirigido pelo seu principal rival em 1985, Tancredo Neves. Oriundo do MDB, que fazia oposição ao regime militar durante o bipartidarismo (1965-1979), Tancredo e mais um grupo de moderados da legenda criaram o Partido Popular em 1979, sendo que, três anos depois, ele se fundiu ao PMDB.
Outro detalhe interessante na definição de hoje é o fato de que a sigla PP também era desejada pelo PFL (Partido da Frente Liberal), que queria se transformar em Partido Popular. Segundo as regras da Justiça Eleitoral, a sigla não poderá ser usada por outro partido.
A convenção de ontem foi marcada também pela divisão interna da nova direção sobre a adesão ou não à base de sustentação política do governo Lula. Enquanto o novo presidente da legenda defende a independência, com o apoio de vários parlamentares, o primeiro vice-presidente, Delfim Netto (SP) - ausente na convenção - e o deputado Severino Cavalcanti (PE), defendem a adesão.