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Usar concreto pode ser solução ideal

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A indicação para a resolução do problema do piso na avenida Rodrigues Alves, em diferentes pontos de sua extensão, passa pelo uso de pavimento de concreto ou pavimento asfáltico modificado. A avaliação é do engenheiro civil, consultor em transportes e especialista na área, Djalma Rocha Martins Pereira.

Ele é docente da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, e mestre em engenharia de transportes pela Universidade de São Paulo (USP). Rocha opina que uma análise técnica da situação da Rodrigues Alves junto à universidade levará a um mapeamento de cada ponto da avenida.

Para o especialista, o problema da pista central da cidade é típico e clássico e se repete em diversas outras cidades brasileiras. Em Bauru, a Secretaria Municipal de Obras está contratando uma empresa para apresentar um projeto de solução para a avenida. O custo estimado do projeto é de R$ 35 mil.

O engenheiro descreve o caso de Bauru. “Vejo duas alternativas básicas para o problema. Tratar de forma localizada, identificando os pontos necessários para o pavimento de concreto, ou pavimento asfáltico com ligante modificado, de preferência o asfalto borracha. Nas faixas mais estruturadas também pode ser utilizado o agregado graúdo com mais resistência à deformação permanente”, resume.

Pereira traça um perfil da questão. “Vocês têm um problema numa avenida com uma parte do tráfego sobre a canaleta da direita e a distribuição do restante da demanda pela extensão da via principal, na área central da cidade. É um problema clássico de tráfego canalizado com veículos transportando cargas pesadas e a baixas velocidades. Este problema ocorre em inúmeras cidades”, define.

Pereira dá uma explicação didática para o caso. “As misturas são muito sensíveis ao tempo de aplicação de carga. Um leigo poderia imaginar que uma carga em alta velocidade seria mais danosa para o piso, mas é o contrário. Onde há baixa velocidade, com paradas de ônibus freqüentes em sinaleiros e pontos de passageiros, o comportamento do ligante asfáltico se torna crítico em termos de deformações permanentes”, descreve.

O ligante asfáltico, componente que deriva do petróleo, é um semi-sólido em temperatura ambiente. “Se você aquecer e puser em um recipiente, ele assume o volume. Mas se deixar o recipiente virado à temperatura ambiente, ele vai lentamente escoando. Isso é o ligante asfáltico. Na pista há vários componentes: tem pedra britada, o ligante asfáltico, pode ter areia e outros”, acrescenta.

O professor enfrentou problema parecido em Curitiba (PR). “O ligante é crítico para uso em velocidade baixa de carga, como no caso da avenida central de Bauru. Nesses locais, a massa deforma-se mais facilmente sob essa ação, formando os sulcos a partir dos pontos e dos corredores por onde passam os pneus”, informa Pereira.

O concreto foi a solução em pontos específicos. “Em Curitiba, uma parte dos ônibus circula em canaletas exclusivas. No início, criaram as estações tubo para o passageiro entrar e sair. Foi preciso trocar o pavimento por outro de concreto nessa extensão das estações porque os ônibus mais modernos são mais pesados. Na outra parte ele é articulado e o pavimento rompia, como acontece em Bauru”, compara.

Troca do piso

Sobre as opções, Pereira dá explicações detalhadas. “Para escapar desse problema, a solução mais barata seria mapear essa área apontando os pontos de frenagem, de parada e os demais pontos com problemas. O tratamento deveria ser diferenciado nos pontos de parada e cruzamentos. Uma possibilidade é o pavimento de concreto. São placas de concreto, armado ou não. Isso resolverá o problema nesses locais”, opina.

Como não tem ligante asfáltico, a placa não é sensível a cargas pesadas e a baixas velocidades. “Fica muito caro fazer isso em toda a extensão da avenida com o pavimento rígido. Mas nos pontos de maior pressão sobre o piso, é necessário. Dá uma solução local, entra com uma fresadora, máquinas que cortam o revestimento asfáltico, dimensiona e põe o pavimento de concreto”, descreve.

A tecnologia no setor aponta para outras opções. “Atualmente existem outras soluções. De uns três anos para cá, a tecnologia de pavimento asfáltico vem melhorando. Foram introduzidos os ligantes modificados, que são asfaltos com a característica do elemento básico, mas agregados a um elemento que melhora essa característica. Fica mais caro, mas poderá também ser bem utilizado para uma pista importante como a da área central da cidade”, amplia.

Segundo Pereira, existem asfaltos modificados por polímeros e o chamado asfalto borracha. “Basicamente, utiliza-se borracha de pneu para o segundo tipo. Essa borracha é pulverizada e incorporada ao ligante asfáltico. O produto final tem características de elasticidade, resistência à fadiga e durabilidade superior”, ressalta.

A outra linha complementar a essa é trabalhar com misturas asfálticas que tenham uma maior composição de agregado graúdo. “O asfalto das ruas é uma mistura de vários componentes. Nesse agregado existem várias granolometrias. Você pode trabalhar com uma granolometria mais graúda, e isso dá misturas mais estáveis a esse tipo de problema como o de Bauru”, completa.

Para tanto, a prefeitura deve ter os detalhes do que é utilizado na pista. “Análises pontuais e uma investigação das características do piso da avenida vão apontar qual a melhor escolha para qual trecho e canaleta. Junto à universidade é possível buscar ensaios e análise técnica da situação. Precisaria colher amostras e levar para o laboratório para podermos embasar a decisão”, complementa Pereira.

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