Pelo ranking de 2002, Bauru é a terceira cidade entre as 61 analisadas com mais registros de furtos. De acordo com o estudo do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, no ano passado foram registrados 2.379,1 furtos para cada grupo de 100 mil habitantes na cidade.
Em 2001 Bauru era a 1.ª colocada neste crime. Portanto, melhorou duas posições no último ano. Marília está melhor no ranking de furtos: foi a 6.ª colocada em 2002. Botucatu e São Carlos também apresentaram posições melhores que Bauru: 5.ª e 26.ª colocações, respectivamente.
O estatístico e economista José Peres Netto, autor da pesquisa sobre variação populacional e criminal de 1995 a 2002, diz que o contraste entre furtos - que são delitos leves -e os delitos graves, como ocorre em Bauru, é o que mais lhe chamou a atenção. Ao mesmo tempo em que a cidade é a 3.ª colocada em furtos, ocupa a 46.ª posição em homicídios.
Ele cita Barretos como o exemplo mais contrastante. A cidade é a segunda colocada no ranking de furtos e a 55.ª em homicídios. “Nos pareceu que, onde os pequenos delitos são comunicados, não se desenvolvem os grandes (violentos) delitos”, aponta no comentário da pesquisa.
O tenente-coronel Alexandre Cintra Borin, comandante do 4.º BPM-I, pondera o fato de Bauru aparecer como a terceira entre as 61 cidades com mais ocorrência de furtos. “Em cidades mais violentas, onde ocorrem mais crimes graves, a possibilidade de subnotificação de furtos é maior. Ou seja, o cidadão não registra o furto. Aqui em Bauru, temos a certeza de que a maioria é registrada porque o cidadão acredita que pode reaver o bem e a polícia tem maior credibilidade”, diz.
Ele conta que na Polícia Militar não são raros os registros de furto de bens de baixo valor, como galinhas. O capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Cia, lembra que no ano passado um rapaz foi pego em flagrante por ter furtado um saco de latinhas vazias. “Esse é um caso que mostra que a Polícia Militar está preocupada com os furtos pequenos”, afirma.