Guerra no Iraque 2003

EUA dizem que tropas estão em Bagdá

Por Samia Nakhoul | Agência Reuters
| Tempo de leitura: 4 min

Bagdá - Tanques norte-americanos fizeram uma incursão pela primeira vez na Capital iraquiana ontem, numa operação qualificada por autoridades dos Estados Unidos como uma demonstração de sua habilidade para operar na base de poder do presidente Saddam Hussein.

Mas o ministro da Informação iraquiano, Mohammed Saeed al-Sahaf, insistia que tropas dos Estados Unidos não haviam entrado na cidade. Ele afirmou que as forças iraquianas haviam mantido os norte-americanos fora de Bagdá e também haviam expulsado-os do aeroporto internacional da cidade.

O correspondente da Reuters Khaled Yacoub Oweis, que dirigiu livremente pela cidade de 5 milhões de habitantes, não viu sinal algum de forças norte-americanas nas áreas que visitou.

O major-general dos Estados Unidos Victor Renuart afirmou em entrevista coletiva no Catar que o avanço dos tanques, depois de 17 dias de guerra, era uma “clara manifestação da capacidade das forças da coalizão para entrarem em Bagdá no momento e lugares que escolhessem.”

O ministro da Informação iraquiano disse que as imagens mostrando tanques norte-americanos e soldados haviam sido filmadas a 30-40 km do coração da cidade. “O filme que eles mostraram a vocês é uma mentira. Isso é um estratagema.”

De acordo com fontes militares norte-americanas, dezenas de tanques e veículos de combate Bradley enfrentaram disparos esporádicos ao se aproximarem do Sul de Bagdá, antes de se juntarem aos companheiros no aeroporto. A força-tarefa dos Estados Unidos fez uma varredura de reconhecimento por Dawra, subúrbio de Bagdá, antes de retomar a mais importante estrada Sul de acesso à Capital.

Anteriormente, Sahf havia lido um comunicado na tevê iraquiana atribuído por ele a Saddam Hussein. Segundo o comunicado, o presidente conclamava soldados e cidadãos a resistir aos ataques das forças anglo-americanas de invasão. “Os criminosos serão humilhados”, afirmava a mensagem. “Para ferir mais o inimigo, aumente o nível de seus ataques.”

Em seu pronunciamento semanal no rádio, o presidente norte-americano George W. Bush disse que suas tropas estavam lutando por uma “grande e justa causa” e que continuariam a batalha até a queda do governo de Saddam Hussein. “Vilarejo por vilarejo, cidade por cidade, a libertação está chegando”, afirmou o presidente.

Resistência esporádica

A incursão dos tanques a Bagdá encontrou resistência esporádica, segundo descreveu um porta-voz. Quatro soldados ficaram feridos, um deles com um tiro na cabeça. Um general iraquiano foi capturado, disseram fontes norte-americanas.

As forças dos Estados Unidos pediram apoio aéreo para atacar tanques iraquianos na parte Norte do aeroporto, de acordo com fontes militares. Soldados norte-americanos também destruíram um quartel general da Guarda Republicana. Os norte-americanos disseram que haviam controlado o aeroporto, a 20 quilômetros do Centro da cidade, mas não as áreas ao redor.

Um oficial militar disse à Reuters que a pista do aeroporto estava em boa condição e que dentro de poucos dias deve estar funcionado para chegada de soldados, suprimentos e ajuda humanitária.

Um porta-voz do exército iraquiano negou que as forças dos Estados Unidos estavam com o controle do aeroporto e disse que centenas de soldados norte-americanos haviam sido mortos no combate. Sahaf afirmou que os outros foram expulsos.

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Vítimas civis

De acordo com a Cruz Vermelha Internacional, centenas de iraquianos feridos foram levados para hospitais de Bagdá após a chegada das tropas lideradas pelos Estados Unidos e o surgimento de lutas nas ruas. “A situação em Bagdá está ficando cada vez mais difícil agora que há lutas nas ruas”, disse à Reuters o porta-voz Florian Westphal a partir da central da Cruz Vermelha, em Genebra.

Com a proximidade da guerra, muitas pessoas fugiram em carros lotados de cobertores e bens. O clima na Capital estava sombrio. “É isso. Esta é a batalha final. Não temos saída”, disse Nour Khaled, 48 anos, mãe de duas crianças. “Estamos enfrentando o exército mais poderoso do mundo. O que podemos fazer? Para onde podemos ir?”

Um general britânico da reserva disse que o avanço a Bagdá provavelmente faz parte de uma operação para recolher informações de inteligência. “Não acredito que seja o avanço final”, afirmou o major-general Patrick Cordingley, comandante da 7.ª Brigada Blindada, ou “Ratos do Deserto”, na Guerra do Golfo de 1991. “Pode ser, mas suspeito que estejam somente coletando mais informações.”

Mas outro analista militar, o comandante Andrew Brookes, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres, disse que os norte-americanos podem ter decidido que não há necessidade de espera. “Parece que eles estão indo com toda a velocidade. Eles obviamente têm inteligência mostrando que haverá resistência mínima e decidiram que vale a pena pressionar. Pode acabar com muita rapidez.” “Uma vez que Bagdá cair - o símbolo do regime - está tudo acabado. Se os iraquianos não defenderem a Capital, onde vão defender?”

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