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Guerra: diálogo não pode substituir o uso da força?

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

“A guerra nasceu com o homem”, comenta o professor de história Alex Gimenez Sanches, 25 anos. No início, o ser humano media forças para conquistar territórios onde havia mais comida, mais água ou melhores moradias. Eles protegiam suas tribos de outras possíveis inimigas, que poderiam acabar com o seu alimento.

Com o conhecimento, tiveram início as guerras ideológicas (das idéias, morais), as religiosas e as guerras políticas. O homem esquece que o mundo é de todos, que as pessoas são livres para querer e gostar do que quiserem.

Quando a gente assiste as imagens da guerra no Iraque na TV, fica até difícil acreditar que tudo aquilo é verdade. Homens armados, bombas sendo lançadas por aviões, tanques de guerra. Até parece um filme de ficção.

Infelizmente, a guerra é de verdade. Os Estados Unidos, aliados à Inglaterra, invadiram o Iraque no dia 20 de março e os conflitos continuam. O professor comenta que há várias teorias para explicar a guerra. “A mais divulgada é que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, quer libertar o povo iraquiano da ditadura de Saddam Hussein”, comenta Sanches.

“Outra possibilidade seria o interesse dos EUA pelo petróleo iraquiano, considerada a segunda maior jazida do mundo.” Sanches acredita também que seria uma guerra pessoal. “O pai do atual presidente, George Bush, perdeu a guerra do Golfo, em 1991, contra Saddam Hussein. Pode até ser uma vingança”, comenta.

Apesar das razões que motivam a guerra serem importantes, o que é mais importante e também mais difícil de entender é como podem países entrarem em guerra e permitirem a morte de pessoas inocentes.

Crianças, jovens, adultos, não importa a idade. Muitos estão morrendo durante os dias de guerra. Povos de todos os países estão indignados e fazem protestos a favor da paz. As crianças, que normalmente não se envolvem nesses assuntos de gente grande, estão cada vez mais informadas e tomam o partido da paz.

Perda da compaixão

O professor de história enfatiza que as guerras trazem outras perdas, além das econômicas e territoriais. “As pessoas ficam pessimistas. Sofrem pelos que morreram e por aqueles que ficaram mutilados. Perde-se o calor humano e criam-se barreiras emocionais”, comenta Alex Sanches.

É difícil para todos, pois em uma guerra todos saem perdendo com a violência e o medo que se instala. “Ninguém é santo na guerra”, lembra. Nem os vencedores, nem os vencidos.

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Prejuízos históricos

Além das mortes e do medo implantado, a guerra também traz prejuízos para a história da humanidade. E isso não é “privilégio” apenas da guerra entre EUA e Iraque, onde há possibilidade de destruição de vários sítios arqueológicos e monumentos históricos.

A região do Iraque foi o berço da civilização suméria por volta de 4.000 a.C (antes de Cristo), ou seja, há mais de 6 mil anos. Nossa, para um país como o Brasil, que tem contada a sua história de apenas 503 anos, é uma diferença grande.

“Em outras guerras, também muitos vestígios arqueológicos foram destruídos, como os budas gigantes na rota da seda”, lembra Sanches. A própria Esfinge chegou a ser usada como alvo para soldados do exército francês.

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A opinião da turma

A Gisele da Mota Vizone tem 12 anos e faz a 4.ª série na Emef “Santa Maria” e diz que a guerra traz guerra. “A guerra só atrai a violência. As crianças dos países em guerra vão ficar com raiva, crescer e fazer mais guerra.”

O Thiago Biem de Oliveira Campos tem 12 anos, faz a 6.ª série e acha que a guerra não leva a nada. “Acho que se o Brasil e todos os outros países se unissem seria possível acabar com a guerra. Só que pode haver um contra-ataque capaz de destruir o mundo.” Na torcida, o Thiago faz pensamento positivo para acabar a guerra logo. “Queremos paz no mundo.”

O Matheus Martins tem 12 anos, faz a 6.ª série na Emef “Santa Maria” e fala sobre a possibilidade do Brasil entrar na guerra. “Se os Estados Unidos perdoarem parte das dívidas do Brasil, pode ser que o nosso País tenha que entrar na guerra. Isso porque o Bush quer tomar posse do Iraque por causa do petróleo.” Matheus acha que ainda vai demorar para acabar o conflito. “O Saddam não vai se entregar. Eles estão confiantes e devem ter mísseis escondidos.”

O Danilo Vinícius Brocco tem 12 anos, faz a 6.ª série e está indignado com a duração do conflito. “Eu não pensei que fosse durar tanto tempo. Esses dias de bombardeio na TV parece um filme. Fico pensando nas famílias iraquianas, o que é muito triste. Eu não gostaria de ir para uma guerra nunca, quero morrer de velhice.”

O Jeferson Lessa Muniz de Souza tem 12 anos, faz a 7.ª série na EE “Caroline Lopes de Almeida” e tem verdadeiro horror pela guerra. “Eu não gosto de violência em nenhum lugar, nem na escola, nem na rua. Tenho medo que a guerra chegue até aqui.” Ele também não se arriscaria em ser um soldado. “Eu nunca iria para uma guerra, tenho medo de perder a vida.”

A Dayane Gabriela Valente Fruguli tem 12 anos e fica indignada com a morte de crianças inocentes durante a guerra. “Acho que o Bush (presidente dos EUA) está errado em querer essa guerra por causa do petróleo. A gente fica assustada com a morte de inocentes durante a guerra.” Ela gosta de ficar informada sobre os acontecimentos, “mesmo sendo a guerra um assunto triste”.

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