Está o país se aproximando de mais um aniversário de descobrimento. Já decorrem 503 anos do acontecimento, que teria de reunir, aos poucos, uma população que jamais encontraria obstáculos na sua dianteira e marcharia resolutamente sem deter os passos por contingência nenhuma. Nem a memorável guerra contra o Paraguai, cujo idealizador - Solano Lopes - teria como êmulos, neste vertiginoso século, alguns guerristas audazes, lograria conter a marcha dos primeiros brasileiros, bem como dos que os sucederam e hoje sucedem, porque a herança de coragem e amor à terra “dadivosa e boa”, descoberta por Cabral, encontrou ressonância positiva nos espíritos dos indígenas que aqui habitavam e a transmitiram aos sucessores. Estas lembranças, porém, são fastos dos primeiros tempos da nação, coisas encontradas nos registros históricos deixados pelo descobridor e seus companheiros. Onde, porém, localizarem-se os traços fisionômicos dos tempos anteriores do imenso torrão - mais de oito milhões de quilômetros quadrados - como o conseguiram, no tocante a seus vários países, “os babilônios e egípcios, assírios e caldeus, gregos e troianos, dos quais até então se conheciam unicamente os dados deixados por escrito e que eram insuficientes para o homem moderno a fim de que pudessem desvendar os segredos do passado da humanidade”, exatamente como recorda a história? Dir-se-ia algo impossível ou inatingível não fosse o nascimento da Arqueologia, a qual - prossegue a história - “a partir dos objetos usados pelo homem de ontem e encontrados sob a terra ou no fundo dos mares, descobre e traduz fielmente as memórias da antigüidade”. Somente arqueólogos, então, têm condições de desenhar os recônditos do Brasil de ontem, que ainda não era Brasil, pois existia, sem denominação expressa, desde o limiar do universo, como todo o resto, patenteado um dia, finalmente, pelo grande Napoleão, ao exclamar para seus soldados: “Do alto destas pirâmides, 40 séculos vos contemplam!” É fora de dúvida, então, que há muito do passado verde-amarelo para ser descoberto e mostrado à cultura do povo. Se, como se apregoa, “grande parte da história do homem dorme no fundo dos mares, em velhas galeras submersas há milênios, nos quais se acham vasos, ânforas, moedas e outros objetos de incalculável importância histórica”, como os já encontrados na costa mediterrânea da França e da Itália, não se admiraria que também nos fundos do Atlântico, do Amazonas e do Tietê se encontrem preciosidades esperando pelas mãos reveladoras dos nossos arqueólogos. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)
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