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Encontradas 20t de peças de ferro furtadas da RFFSA

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Ontem à tarde, a Polícia Militar (PM) localizou cerca de 20 toneladas de ferro furtado da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) num ferro-velho instalado na quadra 4 da rua Jorge Schneyder Filho, no bairro Ferradura Mirim. A proprietária do estabelecimento, Maria Bernadete da Silva Oliveira, foi presa em flagrante por receptação de produto furtado.

Ela foi surpreendida graças à observação do funcionário da RFFSA, Darci Bueno, que acompanhou uma carroça carregada de material férreo até uma sucata, que o comprou. No local, identificou outros itens de propriedade da empresa. Quando retornou, acionou a polícia.

No endereço indicado, uma equipe do Tático encontrou uma caçamba cheia de material, como portas e engates de trem, trilhos e ferros para manobra.

“Testamos dois caminhões para carregá-la. Um deles, que transporta caçamba de 25 toneladas, não conseguiu levantá-la”, relata o sargento Paulo Tenório da Silva. Ele fez o flagrante acompanhado do cabo Ailton Boreli e do soldado Tales Meira Gianezi.

De acordo com ele, o quilo do ferro é vendido por R$ 0,18 no mercado paralelo. “A proprietária confirmou a compra, demos voz de prisão em flagrante e a conduzimos ao plantão policial”, esclarece.

Na Polícia Civil, ela foi autuada em flagrante e depois conduzida ao presídio feminino de Cabrália Paulista.

“Segundo Maria Bernadete, os carroceiros disseram que o material estava liberado pela Ferrovia Bandeirantes (Ferroban) para a venda. Ela não tem antecedentes criminais”, informa o delegado Eduardo Samuel Sganzela.

Ele ainda lavrou um ato de depósito para o que o material localizado seja entregue ao responsável pela Rede em Bauru. Antes, ele será avaliado por peritos da polícia.

“O crime é qualificado porque Maria Bernadete exerce atividade comercial. Se condenada, ela pode pegar de três a oito anos de prisão”, conclui.

Mapeamento

E se depender da RFFSA, outros sucateiros terão o mesmo destino. A empresa mapeou os ferros-velhos da cidade e contará com a Justiça para identificar mais material furtado. A informação é do engenheiro da Rede, Paulo Brittes, para quem a receptação deve ser coibida.

“A idéia é cortar o mal pela raiz. Com mandatos de busca e apreensão, vamos fazer batidas aleatórias. Os donos de ferros-velhos vão responder a processo civil”, explica.

Ele ressalta que a responsabilidade pela fiscalização das peças estacionadas no Parque Triagem Paulista, no Jardim Guadalajara, é da Ferrovia Bandeirantes (Ferroban). O material tornou-se alvo de saques.

“De acordo com o que prevê o contrato de arrendamento, o período de guarda, que vai até junho desse ano, ainda é da Ferroban. Temos um controle minucioso do que recebemos de volta e estamos levantando as avarias para, posteriormente, remetermos uma cobrança a Ferroban”, destaca.

A assessoria de imprensa da Ferrovia Bandeirantes garante que a empresa devolveu adequadamente todo o material não operacional que recebeu e que não tem nenhuma responsabilidade sobre os trens do Parque Triagem de Bauru, conforme o JC publicou em matéria na semana passada.

A Rede está fazendo um levantamento dos trens fora de operação para posteriormente leiloá-los. Porém, a empresa informou que o quadro é desolador porque as peças estão sendo tiradas para serem vendidas como sucata.

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Patrimônio histórico

“É um terror ver aquele material apodrecendo no pátio. Quem deveria cuidar do patrimônio deveria protegê-lo ou dar uma destinação correta a ele. O que não for necessário preservar e está obsoleto, acho que pode até ser vendido. Se é para apodrecer, poderíamos verificar se alguém pode tirar algum uso fruto disso”.

A opinião é da vereadora Maria José Majô Jandreice (PC do B), que integra o Movimento Bauruense de Defesa da Memória e Patrimônio Ferroviário e de Resgate da Cidadania - SOS Ferrovia.

De acordo com ela, a Associação de Museus e o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultura de Bauru (Codepac) já relacionaram o que deve ser preservado. “Mesmo que a ferrovia seja retomada, algumas peças não serão recuperadas e são inservíveis”, destaca.

Preocupada com o futuro do patrimônio ferroviário, ela e o vereador Renato Purini (PV) apresentaram ontem à Câmara Municipal de Bauru um requerimento no qual pedem ao ministro dos Transportes, Anderson Adauto, providências para o assunto.

“Hoje as estações, barracões, oficinas, locomotivas e vagões estão abandonados, exigindo providências pelo menos quanto a sua preservação, tanto para sua utilização na possível reativação do sistema como para a preservação história”, ressalta.

Solicitando providências urgentes para impedir que o material seja perdido, eles anexaram ao documento todas as ações do movimento, que também recorreu ao Ministério Público Federal.

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