Economia & Negócios

Economia & Negócios

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

• Indústria

Dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria mostram números positivos referentes ao faturamento da indústria de transformação brasileira. Em fevereiro foi registrado aumento de 7,35% sobre o mês anterior. Na comparação entre fevereiro e o mesmo mês do ano passado, o crescimento foi de 11,69%. Contudo, o Carnaval foi o principal fator que influenciou neste resultado, já que neste ano ocorreu em março - diferente de 2002.

• Sem recuperação

Segundo o economista Flávio Castelo Branco, responsável pela pesquisa da CNI, mesmo com a alta significativa do faturamento industrial em fevereiro não se pode concluir que houve uma recuperação da atividade econômica. Isso porque a indústria, segundo ele, permanece estagnada desde o final do ano passado. Por isso, seria preciso verificar os dados de março para fazer uma avaliação mais ampla do comportamento do setor.

• Crédito

Para justificar o cenário de estagnação da indústria de transformação o economista citou a dificuldade na obtenção de crédito. Em fevereiro o Banco Central aumentou os juros básicos da economia para 26,5% ao ano, o que acaba sendo repassado para as empresas. Um dos indicadores de que realmente a indústria não teria se recuperado seria o índice de uso da capacidade instalada, que ficou em 80,2% em fevereiro contra 80,5% em janeiro.

• Emprego

Sobre o emprego, a pesquisa da CNI mostrou que o número de postos de trabalho na indústria apresentou um ligeiro crescimento de 0,27% em fevereiro na comparação com o mês anterior, e de 1,30% em relação a fevereiro de 2002. Por outro lado, a inflação elevada causou a redução do total de salários reais pagos pela indústria. A massa salarial real caiu 7,17% em relação a fevereiro do ano passado e 0,40% na comparação com janeiro.

• Casa própria

Algumas medidas e projetos que vêm sendo anunciados desde a semana passada podem trazer boas e motivadoras notícias para quem sonha em adquirir casa própria. Na semana passada a Caixa Econômica Federal (CEF) divulgou a possibilidade de retomar a linha de crédito direcionada à classe média para a aquisição de imóveis novos e usados. A proposta será apresentada até o final desse mês.

• Mudanças

Além disso, está previsto para amanhã um pronunciamento do presidente sobre as mudanças no crédito imobiliário, que virão através do Programa de Subsídio à Habitação (PSH) - que atende famílias com renda de até R$ 580,00. O limite de avaliação do imóvel que poderá ser comprado pelo programa subirá de R$ 10 mil para R$ 21 mil. O valor do subsídio, que antes era atrelado à renda familiar do trabalhador, deve ficar em R$ 6 mil para São Paulo e Rio de Janeiro, e em R$ 4,5 mil para as outras cidades.

• Subsídio

O Programa de Subsídio à Habitação (PSH) consiste em subsidiar parte do valor da casa e fazer com que o restante seja financiado por linhas do FGTS, com taxas de juros mais baixas: 6% ao ano mais Taxa Referencial (TR). No governo FHC, o programa não vinha dando certo nas grandes capitais. O limite do valor de avaliação do imóvel não poderia ultrapassar R$ 10 mil, valor que era inviável em muitas localidades, como por exemplo, na Grande São Paulo.

• Milhões

Hoje, o interessado não pode ir ao banco para pedir o empréstimo ou o subsídio. É necessário que ele compre uma casa construída pela prefeitura de sua cidade e que esteja incluída no programa. Para a próxima semana está prevista a liberação de um novo lote de R$ 350 milhões para ser utilizado no PSH. A partir disso, os bancos poderão mandar suas propostas e, ao final, serão escolhidos quais poderão operar o programa.

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