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Saúde mental vai reduzir internações

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A atenção à saúde mental em Bauru e região está passando por uma grande reformulação. As alterações estão baseadas em dois princípios: na municipalização e na ampliação da rede ambulatorial, fugindo da visão hospitalocêntrica e criando alternativas à internação.

De acordo com o diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani Júnior, a primeira preocupação do Estado foi despertar os municípios para começar a pensar na saúde mental.

“Nós entendemos que, à medida em que os municípios foram assumindo atenções na área da saúde, a saúde mental não teve uma discussão mais abrangente sobre a necessidade do município também passar a ser o gestor na área de saúde mental”, expõe.

Com esse objetivo, foram realizados encontros que detectaram a necessidade do atendimento do paciente de saúde mental ser realizado nas unidades básicas de saúde. Ontem, também nesta linha, a vereadora Maria José Majô Jandreice (PC do B) apresentou projeto de lei que dispõe sobre a política de saúde mental a ser desenvolvida pelo município.

Viviani explica que o paciente com patologia moderada e sob controle muitas vezes tem de deslocar-se da sua cidade até o ambulatório regional apenas para um acompanhamento de rotina ou para buscar receita médica.

Com esse objetivo, a DIR-10 lançou a proposta de capacitar médicos clínicos, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros. Um treinamento-piloto foi feito em Bauru no final do ano passado e outros devem ser realizados durante este ano.

“Estamos estimulando que o paciente controlado ou com distúrbio leve possa ser acompanhado no centro de saúde, com ações para inseri-lo na comunidade”, reforça o diretor técnico da DIR-10.

Nos casos mais graves, como de pacientes em surto ou psicose, deve-se recorrer ao serviço de referência microrregional para atendimento por psiquiatra.

A Divisão de Saúde Mental da DIR-10 abrange 38 municípios, totalizando quase um milhão de habitantes. Eles são divididos em quatro microrregiões: as de Bauru, Jaú, Lins e Lençóis Paulista.

Segundo Viviani, a perspectiva é de que cidades de porte médio, como Pederneiras e Agudos, tenham equipes de saúde mental para atender casos moderados ou de gravidade maior, evitando deslocamentos para Bauru, Jaú, Lins ou Lençóis Paulista.

“A questão da saúde mental não pode ser analisada fora da questão da gestão municipal de saúde. O paciente de saúde mental tem que ser entendido como um paciente que tem uma patologia como qualquer outro paciente e que o local de primeiro atendimento dele é uma unidade básica de saúde”, afirma o diretor técnico.

À DIR-10 cabe monitorar e acompanhar a continuidade do progresso em cada município. “A gente depende muito de que o município assuma seu papel enquanto gestor de saúde”, salienta.

Até agora, os municípios não colocaram obstáculos à implantação do processo. “Nós não encontramos vozes contrárias a esse processo”, diz Viviani.

Ele espera que até o final de 2003 as ações básicas de saúde mental estarão municipalizadas. Já as de maior complexidade dependem do avanço de casa município.

A secretária municipal de Saúde, Sônia Fiocchi, destaca que Bauru já está trabalhando a saúde mental em novos moldes desde agosto do ano passado.

Ela afirma que a intenção da Prefeitura de Bauru é fazer capacitação contínua de clínicos, que já estão oferecendo atendimento ao portador de patologia mental nas unidades básicas de saúde.

A inauguração de residências terapêuticas, entretanto, é um projeto para ser executado a longo prazo, segundo a secretária. “Primeiro, queremos viabilizar as internações nos hospitais gerais”, expõe Sônia.

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Conselho cobra

O Conselho Municipal de Saúde tem cobrado da Secretaria Municipal de Saúde melhorias na rede de atendimento destinada à saúde mental. A informação é de Sandra Elena Spósito, coordenadora da Comissão de Saúde Mental da entidade.

“Temos cobrado a melhoria da rede substitutiva ao atendimento hospitalar”, afirma.

Sandra destaca que o processo tem sido gradual. “O Estado e o Município têm tentado aparar as arestas para que as coisas aconteçam sem prejudicar os serviços que já existem”, expõe a coordenadora da comissão.

Na opinião da representante do conselho, a municipalização é importante para que o município tenha autonomia para agir de forma global na saúde, determinando verbas e investimentos.

“Tem havido um bom diálogo para fazer essa mudança sem causar traumas para ninguém”, reforça.

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