Polícia

Acusado de roubo se esconde em igreja

Por Rita de Cássia Cornélio | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Um rapaz, simulando estar armado, praticou um roubo na secretaria da Igreja Senhor Bom Jesus, localizada na Vila Independência, na manhã de ontem. Ele subtraiu R$ 50,00 em notas e R$ 10,00 em moedas. O rapaz foi preso em flagrante.

Ele entrou na igreja, dirigiu-se para a secretaria e pediu informações sobre o curso de batismo. Na saída, pegou um informativo e ficou lendo os avisos do quadro, segundo apurou a polícia.

Quando percebeu que a secretária, que teve seu nome preservado por questões de segurança, estava sozinha, ele retornou para a secretaria e anunciou o assalto, simulando portar uma arma sob a camisa.

A vítima entregou R$ 50,00 em notas e R$ 10,00 em moedas, fruto da coleta das missas. Para deixar o local, ele queria prender a vítima na secretaria, mas ela conseguiu convencê-lo a deixar o local sem fazer o que pretendia.

Ele fugiu a pé pela Vila Independência. A faxineira da igreja, que não foi vista pelo assaltante, mas que testemunhou o fato, correu até o telefone e ligou para a Polícia Militar. Equipes de policiais da Base Oeste e da Ronda Escolar estiveram no local e passaram a procurar pelo acusado nas imediações.

Ao deparar-se com uma viatura policial, Euzébio Irineu Lima, 51 anos, acusado do roubo, voltou correndo para a igreja e se escondeu atrás da porta. O policial seguiu o rapaz e, pela greta, o descobriu escondido e deu ordem de prisão. Ao perceber que não tinha como fugir, o rapaz saiu da igreja e foi algemado. O dinheiro foi recuperado.

A secretária da igreja diz que ficou abalada emocionalmente com o assalto. “Trabalho há quatro anos na igreja e não tinha passado por isso. Eu não tive medo de morrer porque tinha quase certeza de que ele não estava armado. Temi ser agredida porque ele estava nervoso”, conta.

Ela lembra que ficou cismada com o acusado. “Pensei, por alguns instantes, que poderia ser um marginal, mas ao mesmo tempo, pensei que fosse um humilde pedindo informações. Estranhei porque ele fazia muitas perguntas e ficou enrolando o tempo todo”, relata.

Ela relata que ele procurava uma nota de R$ 50,00 que ela estava segurando quando ele entrou pela primeira vez na secretaria. “Eu disse a ele que tinha usado o dinheiro para fazer um pagamento pouco antes”, diz.

No momento de ir embora, segundo a vítima, o assaltante tentou prendê-la no local. “Ele fez eu me ajoelhar e queria me deixar presa. Eu negociei com ele. Prometi não acionar a polícia e ir embora. Fui para o meu carro e dei uma volta na quadra. Quando retornei, a faxineira já tinha chamado a polícia”, conta.

A secretária reconheceu Lima como sendo o rapaz que a ameaçou pouco antes. “Eu tenho certeza que era ele porque ele conversou comigo”, completa. De acordo com o conselho administrativo da igreja, após o roubo de ontem a proposta é reforçar a segurança do templo. Atualmente, a igreja e a casa paroquial têm sistema de alarme monitorado.

A intenção do conselho administrativo é contratar segurança para porta da igreja, a exemplo da Catedral do Divino Espírito Santo e da Igreja de Santa Teresinha. Nessas igrejas, ambas na área central de Bauru, um segurança fica de prontidão na porta.

Mesmo preso, Lima continuou ameaçando. Ele dizia aos policiais que eles iriam pagar pelo que estavam fazendo. Segundo a PM, ele é ex-presidiário do Carandiru. Já esteve preso por furto e estelionato.

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Ação policial em templos religiosos

Não há nenhum impedimento jurídico de ação policial dentro de templos religiosos em casos de flagrante, como o que ocorreu ontem na Igreja São Bom Jesus, segundo Edson Reis, presidente da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Se ao entrar na igreja a pessoa já estiver sendo perseguida pela polícia por um delito cometido anteriormente, não há necessidade de Ter autorização judicial para busca”, diz.

A mesma regra vale para qualquer propriedade particular. “O estado de flagrância legitima a prisão”, ressalta Reis. Porém, se não houver flagrante, a polícia precisa de autorização judicial para realizar a busca em áreas particulares.

Para o padre Carlos Siqueira, que é advogado, a ação policial dentro de templos religiosos como ocorreu ontem é legítima. “Pelo que sei, a paróquia prestou queixa, o padre estava presente e autorizou a ação”, diz.

Ele ressalta que a Igreja não pode defender a impunidade. “Mesmo por necessidade uma pessoa não pode roubar. Se esse rapaz estivesse explicado sua situação ao padre, pedido ajuda, garanto que teria recebido pelo menos uma cesta básica”, afirma.

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