Vivemos em uma cidade evoluída, com as vibrantes arrancadas de modernidade que caracterizam a maior parte de suas congêneres. Isto no mundo todo, diga-se por amor à verdade, sem falsa modéstia, pois em duas vezes que batemos nossas asas rumo a regiões de vários países europeus encontramos urbes bem plantadas, simpáticas, mas sem suplantar esta que nos acolhe, acariciando nossa vaidade. Temos aí, consequentemente, um punhado de coisas novas, modernas, destacando-se os radares que a administração municipal está instituindo nas principais vias públicas. Notamos vários deles pendurados em postes, fios elétricos e tabuletas, namorando os transeuntes com românticas “piscadelas” de seus bonitos olhos verdes. Demoraram para chegar, lembrando-se de que existem desde 1911, quando foram inventados pelo americano Hugo Gernsback, mas não ficaram somente em sua descoberta, uma vez que a Alemanha patrocinou experiências suas durante longo tempo. Contudo, os ingleses, com Watson-Watt à frente, foram os primeiros a obter resultados satisfatórios com tais detectores de obstáculos, tanto assim que, diz a história, “quando a Inglaterra já parecia sucumbir aos bombardeios da famosa Luftwaffe (Força Aérea Alemã), na Segunda Grande Guerra, os aviões de Hitler tiveram que enfrentar uma arma misteriosa que permitia à defesa britânica prever sua chegada, identificá-los e realizar o contra-ataque: era o radar “.
Hoje, no Brasil, o radar ganhou papel de destaque, prestando serviço importantíssimo para a economia e a segurança do país, atuando nas ruas, avenidas e estradas como controlador e redutor de velocidade. Seu nome “radar” vem de Radio Detection and Ranging, diga-se: sistema para detectar e traçar o percurso de um objeto através do rádio. Tem ele a vantagem de “ver” através da neblina, da chuva e da escuridão e permite ainda avaliar distâncias e modificações do objeto visado. Saibam os leitores de outra extraordinária valia sua. Aqui está: foi através do engenhoso aparelho que os cientistas comprovaram a distância existente entre a Terra e a Lua, cerca de 380.000 km e que, perfazendo-se a uma velocidade de 300.000 km por segundo, as suas ondas levam apenas 2,6 segundos para efetuar a viagem de ida e volta à região lunar.
São dados históricos que - entendemos - não podem colocar ninguém contra a validade de tão inteligente instrumento do modernismo humano. Por isso, que veículo e pedestre nenhum, dos milhões existentes no universo, deixe de admirá-lo quando topar com algum em seu caminho. Em Bauru, inclusive! Eles merecem toda consideração. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)