Regional

Botucatu terá isolamento para Sars

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O Hospital das Clínicas de Botucatu (85 quilômetros a Leste de Bauru), administrado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), vai reservar leitos em um setor isolado para receber eventuais pacientes com suspeita de ter contraído Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), a chamada pneumonia asiática. O infectologista Domingos Alves Meira, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu, explica que como hospital-escola e de referência regional, que atende mais de 200 municípios, a unidade tem que estar preparada para eventuais casos da doença.

Ele ressalta, no entanto, que o hospital não recebeu nenhum paciente com suspeita de estar com a pneumonia asiática e que a medida será adotada por prevenção. “Temos que estar preparados e com estrutura armada caso surja algum caso. É a chamada expectativa armada. Adotamos medidas semelhantes na época da cólera e não tivemos nenhum caso registrado”, diz.

Hoje, médicos e enfermeiros que trabalham na triagem e no pronto-socorro do Hospital das Clínicas começam a passar por um treinamento de posturas e conduta para a notificação de pacientes sob suspeita de estar com a pneumonia asiática. De acordo com Meira, uma das orientações que serão passadas é, em caso de suspeita, imediatamente isolar o paciente.

Em eventual caso de suspeita, ele acredita que não haverá necessidade de transferir o paciente para outro hospital. O treinamento será estendido a profissionais da pediatria e de moléstias infecciosas caso surjam pacientes com suspeita da Sars.

Meira frisa que além de estar atento aos sintomas da pneumonia asiática, os profissionais precisam estar preparados para garantir a sua defesa. Por isso, em caso de suspeita da doença, os médicos deverão usar máscaras próprias para evitar a contaminação ao cuidar do paciente. “Vamos propor o uso de máscara caso haja suspeita e proibir o contato manual, os tão comuns apertos de mãos entre médico e paciente”, diz.

O infectologista acha que a possibilidade de surgirem casos de pneumonia asiática na região de Botucatu é pequena. “Acho difícil porque na nossa região não temos comunidades chinesas e, diferente de grandes centros, não é comum o trânsito de chineses”, completa.

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Casos suspeitos

O Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão do Ministério da Saúde, informa que o Brasil continua com dois casos suspeitos da Sars.

Um deles é o da jornalista inglesa que está internada em São Paulo. Desde que começou a ser atendida, a paciente evoluiu com quadro clínico satisfatório e a avaliação radiológica está sendo conduzida conjuntamente com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O segundo caso suspeito foi confirmado anteontem. Trata-se de uma criança de 4 anos residente em Sorocaba e internada no Hospital da Universidade de Campinas, em São Paulo, que recentemente esteve em Guangdong e Hong Kong, províncias de risco para a doença na China.

Hoje, o Ministério da Saúde vai reunir técnicos para reforçar todas as recomendações sobre como proceder diante de possíveis casos suspeitos.

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