Bagdá - Iraquianos em festa encheram as ruas de Bagdá ontem, dançando e cantando, mas também saqueando prédios, enquanto comandantes americanos declaravam que o governo de Saddam Hussein na Capital chegara ao fim.
Entre cenas caóticas de festejos, saques e alguns tiros, bagdalis derrubaram uma estátua de Saddam de 6 metros de altura com a ajuda de um veículo blindado americano e jogaram sapatos e chinelos no torso de bronze. Um grupo dançou sobre a estátua caída, arrancando sua cabeça e arrastando-a pelas ruas da capital iraquiana.
“Tenho 49 anos, mas nunca vivi um único dia. Só agora vou começar a viver”, disse o xeque muçulmano Yussuf Abed Kazim enquanto martelava o pedestal da estátua. “Esse Saddam Hussein é um assassino e um criminoso.”
Marines que entravam em Bagdá passando pela vasta favela de Saddam City, lar de cerca de 2 milhões de muçulmanos xiitas pobres na região leste da cidade, eram saudados com flores e boas-vindas em inglês. “No more Saddam Hussein”, gritou um grupo. “We love you, we love you, we love you.”
À tarde, 12 tanques e veículos anfíbios americanos chegaram em frente do hotel Palestine, onde a maioria dos jornalistas estrangeiros está hospedada. Marines pularam para fora, apontando revólveres e binóculos para os prédios ao redor, para se assegurar de que não havia franco-atiradores. Eles foram acolhidos calorosamente, exceto por uma mulher européia, que foi a Bagdá para servir de escudo humano.
“Assassinos de crianças!”, gritou a um comandante dos EUA. Mas, onde os soldados chegavam, já havia bagdalis saqueando prédios oficiais - arrancando de aparelhos de ar-condicionado a flores - e lojas. O Ministério das Finanças pegava fogo à noite. “Pessoal, se vocês soubessem o que esse homem fez para o Iraque”, gritou um homem idoso que, parado no meio da rua, destruía um retrato de Saddam com seu sapato.
“Ele matou nossa juventude, ele matou milhões.” Marines também tomaram o quartel-general da polícia secreta iraquiana, já descoberto por iraquianos. “A maior preocupação era não atropelar os cerca de 400 saqueadores que esvaziavam o local”, disse um major americano.
Em outra parte da cidade, marines observavam enquanto dois iraquianos, um deles vestindo um capacete vermelho e luvas de boxe, passaram empurrando um carrinho de supermercado cheio de computadores. Na mesma rua, um carro passou com um homem sentado em uma poltrona amarrada no teto.
“Isso aqui é como um K-Mart (rede de supermercados americana), eles estão roubando tudo”, disse um fuzileiro naval. Os marines, usando megafones, pediam às multidões de saqueadores que se dispersassem, mas poucos prestavam atenção. Em um cruzamento, centenas de pessoas se reuniram e gritaram “Bush, Bush, Bush”, enquanto mostravam as nádegas.
Alguns soldados dos EUA sorriam incrédulos com a pouca resistência que encontraram ao entrar na capital iraquiana. “Não consigo acreditar que estamos em Bagdá agora”, disse o cabo Matt Jamiolkowski. “Isso deveria ser o Super Bowl (a final do campeonato de futebol americano nos EUA), não deveria? Onde está o outro time? Acho que eles não quiseram aparecer.”