Guerra no Iraque 2003

Iraque é dividido em três zonas

Agência Folha
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Bagdá - Os EUA já escolheram 43 políticos iraquianos - 14 no exílio e 29 no interior do país - para participar de uma reunião nos próximos dias onde será discutido o futuro político do Iraque. Paralelamente, decidiram dividir administrativamente o país em três zonas (sul, centro e norte), que ficarão sob a responsabilidade de funcionários americanos comandados pelo general da reserva Jay Garner.

Anteontem, o primeiro grupo de integrantes do Escritório para a Reconstrução e a Assistência Humanitária (Erah) chegou ao porto de Umm Qasr (Sul) para coordenar a entrada e a distribuição de ajuda humanitária, uma das prioridades da coalizão anglo-americana.

As outras são: recuperar os serviços básicos (saúde, abastecimento de energia e de água e segurança, entre outros) e preparar a formação de um governo interino de iraquianos. Os responsáveis pelo Erah necessitarão trabalhar com iraquianos.

Em Basra, militares britânicos apelaram a um líder religioso local (xiita) para tentar restaurar a ordem. Uma das dificuldades será identificar parceiros locais confiáveis, pois, freqüentemente, os quadros mais qualificados têm conexões com o regime de Saddam Hussein.

Com esse objetivo, os EUA e o Reino Unido planejam uma reunião com lideranças de oposição com o objetivo de incluí-las o mais rápido possível na administração do Iraque pós-guerra. O vice-presidente americano, Dick Cheney, disse ontem que a reunião ocorreria no sábado em Nassiryia (Sul do país).

Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, a data e o local não haviam sido definidos. “Juntaremos representantes de todo o Iraque para começarmos a planejar o futuro da autoridade interina iraquiana”, disse Cheney.

Ahmed Chalabi, líder do Congresso Nacional Iraquiano (um dos principais grupos de oposição no exílio), também afirmou que a reunião ocorreria no sábado. Chalabi, que vivia no exílio até há poucos dias, foi levado, com outros 700 membros de sua organização, de volta ao Iraque pelos próprios americanos para ajudá-los a colocar fim ao regime de Saddam e a instalar uma nova administração.

Ontem, no entanto, ele já fazia críticas à lista de supostos participantes no encontro. Segundo o líder oposicionista, haveria um excesso de líderes tribais e de áreas rurais, sendo que o Iraque é uma sociedade majoritariamente urbana.

“A composição (do encontro) parece-se com uma Arca de Noé, mas, nesse estágio, tudo bem”, afirmou. A volta de Chalabi do exílio pelas mãos dos americanos levantou especulações de que estaria sendo ungido a um posto fundamental no Iraque pós-Saddam.

Mas, embora ele tenha apoiadores no Pentágono, a CIA acredita que líderes iraquianos que viviam no exílio não terão o apoio da população. Richard Boucher disse que a reunião não será uma “coroação” de qualquer liderança iraquiana e não servirá para escolher o futuro governo. Antes disso, os EUA planejam realizar uma série de encontros com líderes iraquianos que culminará com uma conferência em Bagdá.

Outra questão delicada é o papel que será destinado à Organização das Nações Unidas (ONU). Países do Conselho de Segurança (CS) que foram contra a guerra, em especial França, Alemanha e Rússia, querem que a ONU assuma o papel central na reconstrução do Iraque.

Mas, embora concordem que a ONU deva ter participação, os EUA já deixaram claro que terão a palavra final. “Sobre a questão se nós iremos entregar tudo à ONU e colocá-la à frente do processo, o presidente (George W. Bush) já deixou claro que nós não faremos isso”, disse Cheney ontem.

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