O crescimento do crime organizado, que se processa a ritmo acelerado no País, atingindo, em todos os Estados, a maioria das cidades, está passando a exigir dos poderes públicos em geral uma programação específica e profunda de iniciativas obstrutoras. Já não se pode entender possam as autoridades continuar com as viseiras fechadas, os pensamentos sufocados e os braços cruzados diante da sucessão dos crimes que acontecem diariamente no território nacional e, por isso, o Ministério da Justiça está se colocando na dianteira de providências destinadas a gerenciarem a programação que considera imprescindível, tendo como ponto de partida a liberação de amplas verbas federais e a reorganização institucional da problemática, objetivando que as polícias comecem, no seu todo, a agir sistematicamente, com destreza e inteligência, e a ganharem poder de autoavaliação de suas medidas, bem como intensificação de suas perícias e estabelecimento de um controle externo das camadas delinqüentes.
Para quem desconhece o valor dessas providências bom é se relate que ele engloba todo o necessário para debelar, no mínimo parcialmente, a arrogância das contravenções que aspira atirar por terra. Para tanto, verba de R$ 404 milhões deverá ser liberada pelo Fundo Nacional de Segurança aos governos estaduais, destinando-se a São Paulo R$ 140 milhões. Os Estados que melhor cumprirem a programação terão prioridade no repasse dos recursos instituídos. Seja como for, o que realmente pretende a opinião pública é que um esquema de iniciativas enérgicas e concretas venha a ser esquematizado e retirado das pautas dos papéis rumo à concretização, porquanto já não pode a sociedade prosseguir ameaçada pelo terror lançado sobre ela nas ruas, rodovias e residências, tornando-a sujeita não somente a roubos mas, infelizmente, a abomináveis latrocínios domésticos, incidindo, inclusive, sobre crianças e adolescentes encontrados brincando no aconchego de seus lares. É imenso o desejo de escape das mãos dos terroristas. Mas a esperança não é menor, confiando as pessoas na instituição e na energia dos detentores do Governo quanto a se posicionar corajosamente contra as investidas dos criminosos, fazendo-os retroceder de suas tétricas intenções. Que assim o seja. Deus querido, onde te escondes que não vês? (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)