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O presidente e a economia


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Apesar dos altos índices de popularidade do presidente Lula, há alguma dificuldade de se compreender o que está acontecendo em seu governo, em particular na economia. Pelo fato que se está praticando uma política econômica canônica, isto é, uma política universal de combate à inflação e de controle financeiro, imagina-se que é uma continuação da política do governo FHC. Na verdade, essa política macroeconômica é praticada em mais de cem países do nosso mundo cada vez mais globalizado e é a que mais se aproxima do “estado da arte”: basicamente, se apóia num sistema de câmbio flutuante e no absoluto controle fiscal. O novo governo está seguindo esta política de forma correta, com algumas variações de fundamental importância.

A principal mudança é no esforço de realizar o ajuste fiscal, privilegiando o corte das despesas públicas em lugar do recurso ao aumento de impostos. Pela primeira vez em muitos anos, a sociedade foi poupada de mais um aumento da carga tributária que no governo anterior foi elevada de 26% para 34% do PIB, tornando-se uma das mais pesadas do mundo. É o primeiro e significativo movimento para inverter o viés antidesenvolvimento da política anterior. Embora do ponto de vista do sistema produtivo as coisas ainda caminhem como antes,na gestão das finanças públicas há sensíveis sinais de melhoria.

A política econômica desses primeiros cem dias já apresenta resultados bastante positivos, aumentando a credibilidade do governo, interna e externamente, o que se demonstra na queda importante do “risco Brasil” e no comportamento mais equilibrado do câmbio. O crescimento das taxas da inflação iniciado no último trimestre do ano passado foi contido, reduzindo o seu ímpeto. E os saldos do comércio exterior estão contribuindo para melhorar a situação do balanço de pagamentos.

O que se pode concluir é que o governo está fazendo o que deve ser feito, preparando-se para baixar as taxas de juros no momento adequado: a queda do “risco-Brasil” e a redução das expectativas de variação cambial permitirão o movimento de baixa das taxas de juros sem prejudicar a entrada de capitais. A redução dos juros estimulará a produção e nos conduzirá a uma nova etapa de crescimento sem criar novos problemas no balanço em contas correntes. (O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PPB-SP, professor emérito da USP. E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br)

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