Bairros

Verba federal pode urbanizar favelas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Aproximadamente 15 favelas instaladas em áreas públicas de Bauru, onde vivem cerca de 3.800 pessoas, potencialmente podem ser urbanizadas pela administração municipal através de programas do governo federal. Nessa semana, o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal (CEF) anunciaram a alocação de R$ 718,5 milhões para três modalidades de projetos voltados à habitação.

A Prefeitura Municipal de Bauru estuda qual deles é o mais adequado para a realidade local. Dentre os programas voltados para urbanização em favelas estão o Habitar Brasil BID, o Pró-Moradia e o Morar Melhor, de acordo com a assessoria de imprensa da CEF.

O primeiro, executado com verbas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da União, tem R$ 100 milhões de orçamento para 2003 destinado a 128 municípios do país (veja quadro ao lado).

Já o segundo, dispõe de R$ 499,5 milhões do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e é desenvolvido em seis modalidades: urbanização de áreas, aquisição e/ou produção de lotes urbanizados, cesta de materiais de construção, infra-estrutura em conjuntos habitacionais, produção de conjuntos habitacionais e desenvolvimento institucional.

O Morar Melhor conta com repasse da ordem de R$ 119 milhões em recursos do Orçamento Geral da União para esse ano. Pela quantidade de prefeituras da região enquadradas nessa proposta, aparentemente ela é a mais acessível também para Bauru.

Conforme a CEF informa, 21 projetos estão em andamento em municípios próximos, como é o caso de Piratininga. Lá, moradores de 21 casebres instalados irregularmente em área de preservação ambiental serão transferidos para casas de alvenaria com quatro cômodos.

Contrapartida

Segundo o chefe de compras e licitação da prefeitura de Piratininga, Luiz Carlos Rocha, o governo federal liberou quase R$ 150 mil através do programa e a administração municipal ofereceu uma contrapartida de R$ 7,5 mil, além da área regulamentada. A exigência comum para todos os programas é a regularização dos terrenos e o respeito ao Estatuto das Cidades.

“As casas ainda não foram entregues pois a instalação da rede de água não foi concluída. A inauguração (dos imóveis) deve ser realizada no próximo mês. As famílias atendidas vivem em situação muito precária”, explica.

E é justamente essa fragilidade referente à habitação que move a presidente da Associação de Moradores do Ferradura Mirim, Giseli Moretti. Ela estuda a possibilidade de acionar a Prefeitura de Bauru para tentar melhorar a qualidade de vida de algumas famílias da região.

“Tendo moradia já é difícil viver, sem ela é impossível. Não dá para continuar desse jeito porque tem gente vivendo muito mal”, comenta.

Se dependesse apenas de uma avaliação superficial do coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, o Ferradura Mirim seria um dos primeiros bairros a ser urbanizado em Bauru devido à facilidade da execução do programa. “Não precisam ser construídas porque algumas são boas. Faltam apenas a regularização dos terrenos e a instalação de infra-estrutura”, comenta ressaltando que não dispõe de levantamentos pontuais.

Controle

Na opinião dele, situações semelhantes podem ser verificadas em regiões como o Jardim Vitória, Jardim Maria Célia. Contudo, ele chama atenção para questões como pagamento, controle do projeto e troca de imóveis.

“As famílias poderiam ficar impedidas de negociar as casas por um período dez anos, por exemplo. Assim, evitaríamos situações como a do Núcleo Fortunato Rocha Lima, onde restam poucos moradores dos que participaram do início do projeto de desfavelamento. As formas de pagamento também devem ser bem definidas e precedidas de um estudo técnico e socioeconômico”, diz.

Por compartilhar do mesmo princípio, a administração municipal reunirá três secretarias e a Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) para dimensionar o total de casas necessárias, as áreas próprias para o desenvolvimento do programa e o projeto da União mais adequado para a situação local.

De acordo com a secretária do Planejamento, Maria Helena Rigitano, representantes das secretarias do Bem-Estar Social (Sebes) e do Meio Ambiente (Semma) devem ser convocados para a reunião. A primeira devido à necessidade de um levantamento da população carente. A Semma participará porque grande parte das favelas está instaladas em áreas verdes. Já a Cohab poderá apresentar experiências acumuladas em programas de mutirão.

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Casas Populares

Além dos projetos voltados para a urbanização de favelas, a Caixa Econômica Federal ainda dispõe do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH). Ele foi criado em agosto de 2001 com o objetivo de destinar recursos do Orçamento Geral da União para subsidiar financiamento de casas populares.

No PHS, os projetos imobiliários são realizados em parceria com os governos estaduais e municipais, o que possibilita reduzir o custo médio da unidade, que varia de R$ 3 mil e R$ 7 mil.

Nesse caso, os recursos são utilizados para complementar a capacidade financeira do mutuário beneficiado pelo programa, proporcionando a ele a aquisição de uma moradia de valor superior ao que a renda permite, além de gerar trabalhos diretos e indiretos.

O superintendente de Negócios da CEF, Geraldo Luiz Machado de Oliveira, destaca justamente a geração de empregos promovida pelos projetos. “Além de atender o quesito moradia, os programas também aquecem rapidamente a economia”, conclui.

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