Guerra no Iraque 2003

Ainda em seus cargos, diplomatas iraquianos vivem sob incertezas

Reuters
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Nações Unidas - Na qualidade de representantes de um regime que não existe mais, os diplomatas iraquianos em todo o mundo entraram em um período de indefinição, que muitos deles encaram com confusão, irritação, resignação e preocupação com suas famílias deixadas no país.

Em Brasília, a embaixada iraquiana queimou documentos. No Vietnã e na Venezuela, os embaixadores mantiveram as bravatas contra os invasores anglo-americanos. Já em Paris, o chefe da seção de interesses do Iraque, que funciona na embaixada marroquina, disse estar “muitíssimo ocupado”.

Mas na maior parte das vezes eles vivem praticamente alheios à guerra, acompanhando o noticiário pela televisão, como o resto das pessoas. Há pelo menos duas semanas sem contato com Bagdá, o embaixador iraquiano na ONU, Mohammed Aldouri, foi a primeira autoridade do seu país a admitir publicamente que “o jogo acabou”.

Ele continua participando de reuniões com o secretário-geral Kofi Annan e com outros diplomatas. Mas segundo seus amigos, nos últimos dias ele está claramente estressado e quer voltar para seu país, pois está preocupado com a família. “Não represento nenhum governo. No momento, represento meu país”, afirmou Aldouri.

Destruídas pela população no Iraque, as imagens de Saddam Hussein ainda enfeitam as paredes de muitas embaixadas, como na Indonésia, por exemplo. Enquanto os norte-americanos consolidam seu controle sobre Bagdá, o embaixador iraquiano em Caracas, Taha Al Abassi, previu que a resistência vai continuar. “A guerra não acaba, acho que ela será uma longa maratona”, afirmou.

Apesar das freqüentes entrevistas das últimas semanas, em que desafiava os EUA, Al Abassi acha que não terá problemas em voltar ao Iraque. “Não fiz nada de errado e tenho família lá”. No Vietnã, o embaixador Salah Al Mukhtar assumiu o cargo há apenas três semanas, e imediatamente disse que, se encontrasse seus colegas dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha ou da Austrália, daria um tapa na cara deles.

Ontem, ele manteve esse tom. “Nunca vou apertar a mão de assassinos. Nossa pátria foi destruída por britânicos e norte-americanos”. Ele diz que só está disposto a voltar a seu país se for na qualidade de “combatente da liberdade, para combater a América e outras forças colonialistas”.

Em Brasília, diplomatas foram vistos queimando documentos no jardim da embaixada. “O que eles queimam é problema deles”, disse um porta-voz do Itamaraty. Em Nova Délhi, o embaixador-interino Adday Al Sakab disse que a embaixada continua funcionando. “Não temos instruções (para fechar) por parte de Bagdá ou do governo indiano. Os funcionários recebem seus salários e tudo está normal”.

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