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Cor do carro revela motorista

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Elementos estéticos fundamentais dos veículos, as cores significam para os motoristas, mesmo que estes não percebam nem parem para refletir sobre o assunto, muito mais do que meros diferenciais na hora de adquirir um automóvel. Elas retratam, às vezes com precisão cirúrgica, a personalidade de um indivíduo e até mesmo o modo de dirigir de homens e mulheres.

Segundo o cromoterapeuta Serg Rios Alves, do Instituto Avalon, alguns aspectos do comportamento podem ser identificados através da opção que a pessoa faz por determinadas cores, bem como a exposição a elas poderia desencadear diferentes tipos de reações.

Serg acrescenta que isso é possível em virtude das cores influenciarem o estado emocional das pessoas. Ele exemplifica que o vermelho, cor relacionada a pessoas mais agressivas, pode deixar o motorista nervoso no caso de um trânsito confuso e o amarelo, que atrai os pensativos, pode estimular a perda de atenção nos fatos externos.

Já o marrom, cor preferida dos conservadores, seria capaz de tornar o condutor distraído mais atento e o azul, tom predileto dos que possuem bom nível de harmonia com o meio social, daria melhor noção de profundidade ao volante.

O astrólogo bauruense João Bidu ressalta que as cores estão ligadas a determinados aspectos afetivos humanos. O branco, conforme ele, traz bons fluidos e fortalece a lealdade e os relacionamentos amorosos. O vermelho ajuda a afastar a inveja; laranja e amarelo transmitem segurança e tranqüilidade para enfrentar desafios. Já o verde representa a determinação e a perseverança e o azul atrai tranqüilidade, segurança e equilíbrio.

Por isso, Bidu acredita na capacidade de influência dos tons sobre homens e mulheres. “É possível em virtude das cores relacionarem-se com certas qualidades pessoais e atuarem sobre nossos sentidos. Da mesma forma que sentimos atração ou repulsa por determinada tonalidade, podemos ser influenciados como motoristas, inclusive perigosamente desviando-nos a atenção”, considera ele.

Cores “ideais”

Mas as cores não influenciam apenas no comportamento ao volante dos motoristas. Elas também tornam-se fatores decisivos tanto no momento de decidir a compra de um modelo de automóvel quanto na hora de sua revenda. Além disso, muitos levam em conta desde a facilidade de conservar a pintura até o clima no interior do veículo e a segurança. Assim, para cada situação, haveria a cor “ideal”.

No mercado automotivo, as atuais “campeãs” da preferência popular são as cores prata e cinza. É o que aponta pesquisa da Fiat brasileira junto aos veículos da montadora mineira em todo o País. O estudo, realizado em 1999, indicou que os consumidores de quase todo Brasil - excetuando-se o Nordeste cuja maioria optou pelo verde - têm predileção pelos tons cinza e prata.

O assessor de marketing da Fiat, Carlos Henrique Ferreira, informa que, apesar da pesquisa ter sido efetuada há quatro anos, tal tendência permanece inalterada no mercado. “Há muito tempo elas são as preferidas do brasileiro, pois são cores associadas a valores como status e sobriedade e que não comprometem na hora da revenda”, considera ele.

Já para o astrólogo João Bidu, mesmo não sendo possível decretar o motivo, a explicação para a preferência de ambas as cores está ligada às emoções. “A prata relaciona-se ao romantismo e à sensibilidade. Já o cinza é um derivado do preto, uma cor elegante que tem o poder de anular as vibrações negativas”, explica ele.

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Gostos distintos

Como não poderia ser diferente, homens e mulheres apresentam gostos distintos em relação às preferências de cores.

A aposentada bauruense Rachel Gebara utiliza sempre um Gol branco de sua filha para se locomover diariamente pela cidade. Entretanto, ela enfatiza que, se fosse adquirir um automóvel, escolheria sempre um de cor clara, especialmente a prata, sua tonalidade predileta. A explicação, segundo ela, é a segurança nas estradas. “Eles são vistos com mais facilidade pelos outros condutores”, destaca.

Já o comerciante José Donizete da Silva, dono de um Santana verde, salienta ser admirador de qualquer cor metálica, principalmente a azul, sua preferida. “Acredito que os tons desse tipo valorizam o veículo na hora da revenda”, considera ele.

O corretor de imóveis Sebastião Penteado de Souza ressalta que comprou seu Corsa vermelho muito mais pela necessidade, mas sem deixar de lado a importância da cor. “Não é muito comum encontrar em estacionamentos esse modelo, ainda mais dessa tonalidade. Apesar disso, pesou mais o fato de eu precisar do veículo”, afirma ele.

Proprietária de um Gol cinza, a oficial de Justiça e pianista Marli Aparecida Nunes tem preferência pelas cores escuras. “Além da beleza, elas dão um ar mais sóbrio ao carro”, frisa. Mas, pondera ela, se um dia decidir adquirir um automóvel mais “esportivo”, a predileção muda. “Seria um vermelho”, revela.

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Como conservar a pintura

Não é preciso ser gênio para saber que, em carros de cores escuras, os riscos na pintura sobressaem-se com muito mais facilidade que naqueles em tons claros.

Entretanto, conforme explica o engenheiro mecânico Marcos Serra Negra Camerini, os procedimentos para conservação da pintura são os mesmos para carros de qualquer cor.

A regra básica é manter uma película constante de cera na lataria. “O ideal é que o veículo seja encerado uma vez por mês. Isso garantirá proteção não só contra a radiação ultravioleta do sol, mas também em relação às resinas de árvores e aos excrementos de pássaros”, afirma ele.

Outra dica para manter a pintura em ordem é nunca lavar o veículo exposto diretamente ao sol, com a chapa quente. Além disso, o ideal é usar sempre sabão neutro ou shampoo apropriado, evitando a utilização de produtos nocivos ou agressivos à carroceria.

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