Todo o Interior do Estado de São Paulo poderá contar, a partir de 2004, com a cobertura de telefonia celular em alta velocidade de transmissão de dados. Esse é um dos projetos da recém-nascida Vivo - joint venture entre Telefónica Móviles e Portugal Telecom -, a maior operadora do setor na América do Sul.
Até o momento, São Paulo, Grande São Paulo, Campinas, Indaiatuba e Baixada Santista já estão cobertas pela tecnologia CDMA 1XRTT, que permite transimssão de dados via celular com velocidade de até 144 kilobytes por segundo (Kbps). Essa velocidade é quase o triplo, por exemplo, do acesso caseiro à Internet por linha telefônica.
Até junho, a Vivo pretende implantar essa tecnologia nas cidades de Jundiaí e São José dos Campos, além das capitais de mais sete Estados. Atualmente, Rio de Janeiro, Curitiba e São José dos Pinhais (PR) já estão cobertas pelo CDMA 1XRTT.
A “sopa de letrinhas” é o que existe de mais rápido em transimssão de dados via celular no País. CDMA é sigla para Code Division Multiple Access, ou Acesso Múltiplo por Divisão de Código. Na prática, é a transmissão de dados do celular com as antenas espalhadas pelo País por meio de sinais de rádio codificados numericamente.
O complemento 1XRTT indica uma tecnologia intermediária entre a segunda e a terceira geração de celulares. O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a adotar essa tecnologia, através das operadoras controladas pela Telefónica Móviles e Portugal Telecom (como a Telesp Celular), logo após a implantação pioneira na Coréia do Sul, no final de 2001.
Atualmente, todo o Estado de São Paulo é coberto pela tecnologia CDMA, que permite acesso à Internet e transmissão de dados a uma velocidade de 14,4 Kbps. Com a chegada do 1XRTT, o usuário poderá navegar a uma velocidade dez vezes maior através do próprio aparelho celular, de um palmtop ou de um laptop, de dentro do carro ou na praia.
De acordo com o diretor da Vivo para São Paulo Interior, Elder Miguel Alves da Silva, apesar do cronograma da joint venture não contemplar a implantação do CDMA 1XRTT nas regiões Norte e Oeste do Estado ainda neste ano, a previsão é que 100% de São Paulo seja coberta por essa rede em breve, assim como ocorreu com a CDMA.
Um grande avanço? Sem dúvida, mas nem tanto. A implantação da teconologia intermediária CDMA 1XRTT está preparando terreno para uma evolução radical na transmissão de dados sem fio: o formato CDMA EVDO, que pemite conexão via celular em velocidade de até 2,4 megabytes por segundo (Mbps). Essa performance é dez vezes maior que a de uma conexão residencial padrão por banda larga, como o speedy.
Até o final de 2002, havia em torno de 150 milhões de usuários do CDMA no mundo. Em janeiro passado, mais de 30 milhões usavam os formatos 1XRTT e EVDO. O CDMA foi a tecnologia escolhida pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão especializado das Nações Unidas, como padrão para a terceira geração do celular.
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Empresa propõe ações regionais
A partir de hoje, cerca de 17 milhões de usuários de celular em todo o País estarão unificados pela Vivo, joint venture entre a espanhola Telefónica Móviles (Tele Sudeste Celular, CRT Celular e Tele Leste Celular) e a Portugal Telecom (Telesp Celular e Global Telecom). A Agência Nacional de Telecomuniações (Anatel) ainda precisa aprovar a incorporação da NBT e da Tele Centro Oeste Celular (TCO).
A joint venture, administrada 50%-50% por espanhóis e portugueses, passa a ser a maior operadora de telefonia celular da América do Sul, com atuação em 19 Estados - ou 86% do território nacional. Nesse cenário, o Interior de São Paulo surge como um grande mercado potencial.
Há 2,2 milhões de usuários no Interior, mas a penetração entre a população ainda é pequena: 16%, contra uma média de 25% na cidade de São Paulo, por exemplo. Em contrapartida, a participação da Vivo no mercado do Interior é de 65%, ante 48% em todo o País.
De acordo com o diretor da Vivo para São Paulo Interior, Elder Miguel Alves da Silva, a estratégia da empresa é consolidar a mudança abarcando necessidades regionais. A primeira delas é o fim da cobrança de serviços roaming em cidades com o mesmo código: uma ligação de Bauru a Botucatu passa a ser classificada como local. “A Vivo vai pensar globalmente e nós vamos agir regionalmente”, diz Silva.
Segundo ele, a Vivo poderá oferecer uma melhor rede de serviços e oferecer atendimento mais eficiente. “A empresa já nasce nacional, mas o cliente do Interior de São Paulo não sofre nenhum prejuízo, não precisa trocar o terminal, não precisa mudar absolutamente nada. Pelo contrário, passa a usufruir dos benefícios de uma operadora nacional”, afirma o diretor.
A joint venture, basicamente, vai diminuir custos operacionais e reunir esforços para alavancar a participação de mercado das empresas unificadas sob a marca Vivo. Para o consumidor, entretanto, a melhor notícia é aquela que ainda não foi anunciada: a unificação nacional de tarifas.
De acordo com Silva, a Vivo tem “planos para unir toda essa comunidade nacional”. Esbarra, no entanto, na Anatel e na legislação sobre concorrência. TIM, Oi, Telecom Américas e Brasil Telecom, concorrentes da Vivo, também deverão reclamar.