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Relação emocional com a comida deve ser mudada


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Enquanto os incômodos pós-cirúrgicos ainda estão presentes, a maioria dos pacientes se controla. Mas é só cicatrizar tudo que aqueles obesos compulsivos voltam a perder o controle, mesmo que em doses mínimas.

As psicólogas Eliana de Araújo e Andréa Durgan Abrantes, que trabalham na equipe do médico Wagner Schwerdtfeger e participam do Centro Integrado de Tratamento da Obesidade de Bauru (Citob), apontam que é muito comum encontrar casos de pessoas operadas que voltam às suas atividades normais e enquanto preparam uma refeição não abrem mão dos hábitos antigos de comer uma bolacha, um pedaço de queijo, meia salsicha, beliscar uma coisa aqui, outra ali, experimentar cada prato e ainda sentar-se à mesa para o almoço ou jantar.

“Quando se faz qualquer cirurgia bariátrica, a pessoa não pode ficar passiva ao estômago reduzido. Ela precisa estar consciente de que a dieta será feita para o resto da vida”, pondera Andréa.

Neste sentido, desenvolvem um trabalho de mudar a relação emocional do paciente com a comida, minimizando a compulsão, através da mudança de hábitos alimentares e de vida.

Elas buscam detectar o que desperta o desejo da pessoa em comer sem estar com fome, seja no trabalho ou em casa. Tentam reverter o sedentarismo e livrá-la dos vícios e da ansiedade.

Andréa aponta que o equilíbrio é importante no processo e conta que a relação com o novo corpo na maioria dos casos é benéfica, mas cita outros em que os pacientes ficaram fechados por tanto tempo, que têm dificuldade de se relacionar quando voltam ao convívio social ativo por pura timidez.

Por outro lado, a segurança não traz a arrogância que muitos magros dizem que os gordinhos ganharão ao perdem peso.

Na verdade, eles querem manter o amigo que faz churrasco, a tia que cozinha bem e que com certeza, depois de operados e leves não terão a mesma disponibilidade para encher as pessoas que o cercam de guloseimas.

“A comida é social e todo lugar tem comida. Os nossos passeios começam ou terminam com comida. E muitos pacientes temem o comportamento diante da festa ou do barzinho. Eles precisam rever os conceitos. Não se vai a uma festa para comer uma ou dez coxinhas. É preciso pensar como magro, que se diverte e belisca.”

Ao mesmo tempo, Eliana adverte que esses comportamentos são incutidos desde a infância quando se oferece alimento como prêmio às crianças e se descuida da alimentação diária das mesmas.

São esses e outros comportamentos que fazem hoje do Brasil um País com 70 milhões de obesos, de acordo com o Ministério da Saúde e da obesidade um problema que atinge 40% da população mundial, superando os números da fome.

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