Tribuna do Leitor

A história da vida de um idoso


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Conheci um velho idoso em 1968, ariano, fizemos uma grande amizade, como velhos amigos, amizade a primeira vista e hoje convivemos juntos há 27 anos, o idoso faz parte da minha vida, aqui já se foram alguns anos de convivência juntos, eu em todos estes anos fui acompanhando e observando parte da sua bela história de vida, nos livros do passado, nas fotos antigas e amareladas pelo tempo, nas grandes construções que hoje também faz parte do passado, pois muitas foram demolidas deixando um vago na bela paisagem antiga, nos depoimentos de pessoas idosos, que vivem há mais de 56 anos junto com este velho idoso, fui conquistado pela sua história de vida e aos poucos presenciando grandes mudanças em seu comportamento, como seria bom se eu tivesse registrado captado todas as imagens ainda que em preto e branco, para fazer um belo vídeo, ou um documentário real do passado, hoje ainda filmo apenas com os olhos, com a objetiva da minha imaginação, em cada detalhe daria uma nova história.

O idoso de quem estou falando nasceu com um nome, usado para peças antigas, carregava sobre seus ombros todo tipo de preconceito discriminatório social e humano pela nossa sociedade mal informada, em 1933 nascia o Asilo Colônia Aimorés.

O idoso foi resistindo aos preconceitos sociais e ficando mais velho, veio a primeira mudança, Lei - 520, de 10 dezembro de 1949, transformou de Asilo Colônia Aimorés para Sanatório Aimorés, isolando os seres humanos que eram obrigados a ficar confinados e privados de sua liberdade pessoal. As pessoas eram obrigadas a permanecer isoladas e longe dos seus familiares, deixando para trás seus entes queridos, pais, mães, separando os filhos de seus familiares.

O tempo passou e o idoso continuou resistindo aos anos uma nova mudança, para identificar com a cidade sem limites, lugar este para acolher aqueles que habilitavam e beira da Estrada de Ferro, nas tendas e casebres por eles construídos, pois bem o nome sugerido em, 1969 Hospital Aimorés de Bauru.

Muitas histórias de tristezas e incertezas, eram carregadas nas bagagens e ainda mais marcava a vida deste velho idoso, mais uma vez uma nova mudança, 1974 Hospital Lauro de Souza Lima.

Muitas pessoas pensam que o passado não é importante para que aconteça, nos dias de hoje, o avanço para o futuro e as novas tecnologias para um futuro melhor principalmente para nossos filhos e netos, sem conhecer e respeitar o que já foi realizado na história deste velho idoso não chegaremos a entender o seu presente e caminharmos um pouco mais no seu futuro, e fazer parte ainda mais da sua verdadeira história de vida, e a honra na sua verdadeira história é que faz voltar no passado e recapitular em cada detalhes, em cada objeto, das construções antigas.

Agora, quem sabe uma mudança quase que total, o nome de um grande médico dermatologista é usado para dar nome ao velho idoso e tornando referência mundial nas pesquisas e no tratamento do hanseníase, abriram-se as algemas do passado deixando a liberdade, caminhar em passos largos e os novos horizontes foram sendo conquistado como o nascer do sol de um novo dia, a história continua e permanece viva, e eu me orgulho em fazer parte desta história de amizade, carinho e respeito recíproco, e muito me orgulha em poder pronunciar o nome deste velho idoso amigo que me acolheu no seu quadro de funcionários, sem o preconceito do passado, pois presenciei uma das mais importantes mudanças na vida deste idoso, 2/10/1989, finalmente Instituto “Lauro de Souza Lima”, a bela arquitetura representada pelas construções do passado, o Arco da antiga portaria, o Cassino, a Igreja, o Correto da Praça, os letreiros forjados em ferro batido na Quadra de Esportes, tudo faz parte da vida desse idoso, que hoje, aos 70 anos de idade, registra em seus arquivos mais de 63.054 nomes e identidades que fizeram parte da sua história de glórias e conquistas em benefício da pesquisa e da ciência, marcando seu ibope e tirando nota máxima nos provões em benefício da humanidade.

Parabéns, Instituto “Lauro de Souza Lima”. São 70 anos de história que às vezes a própria história desconhece - 13 de abril 1933 - 13 de abril de 2003, 70 anos de orgulho para Bauru - a cidade sem limites, e para o mundo da pesquisa e ciência.

Vida, dignidade e esperança, estes sim os nossos deveres para com os nosso idosos. Você, Laurão, se enquadra perfeitamente neste tema da Campanha da Fraternidade. (Jaime Prado - RG. 9.566.152)

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