Logo após usar a tribuna da Câmara Municipal na sessão legislativa de ontem para denunciar o calote da carne, o vereador João Parreira (PSDB) iniciou uma articulação com um grupo de parlamentares interessados em pedir a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar o caso.
O tucano conta com o apoio declarado dos vereadores Toninho Garmes (PSDB), José Clemente Rezende (PSB), Faria Neto (PDT), Milton Dota Jr. (PTB) e Paulo Madureira (PP).
“Nós recebemos uma denúncia de que a prefeitura, no final do ano passado, fez uma compra de carne para merenda escolar junto a empresa Bom Bife. Comprou, pagou e até agora não recebeu a mercadoria. Questionamos o prefeito Nilson Costa, o seu chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, para que venham a público e expliquem essa situação”, cobra.
O tucano pede aos representantes da administração municipal que esclareçam o caso de forma convincente. “Eles devem mostrar o processo de compra, mostrando quando foi pago, quanto pagou e por que a mercadoria até agora não foi entregue”, sugere.
Parreira conta que logo após discursar da tribuna, a mesma fonte que lhe informou sobre o calote da carne o abasteceu de mais subsídios sobre a situação.
“Me disseram que foi registrado e assinado que a mercadoria foi entregue à prefeitura. Mas na verdade não foi. A mesma fonte ainda me relatou que essa era uma prática comum na administração desde 1999. Isso é uma fraude ao processo de licitação. Não se pode comprar uma mercadoria, assinar que ela foi entregue, pagar e depois parcelar a entrega”, explica.
Ele conta que a operação teria sido engendrada para evitar que a administração municipal devolvesse recursos do governo federal não utilizados no decorrer do ano para aquisição de gêneros alimentícios.
O paralmentar diz que tem a informação de que a Procuradoria Jurídica da prefeitura se opôs a essa prática na época, mas o posicionamento não foi levado em consideração.
O vereador acredita que a prática também poderá ser constatada na aquisição de outros gêneros alimentícios. “Diante disso tudo, não há outra alternativa se não pedir a CEI.” Ainda hoje, Parreira pretende oficializar a documentação que deverá ser lida na próxima sessão legislativa, agendada para terça-feira devido o feriado nacional de Tiradentes.