Um incêndio de grandes proporções destruiu em uma loja de venda e conserto de móveis de escritório instalada na quadra 4 da rua Benedito Eleutério, na Vila Pacífico, ontem pela manhã. A fumaça do incêndio na loja, que fica em frente à entrada principal do Estádio do Noroeste, formou uma nuvem negra no céu.
O fogo, de origem ainda não esclarecida, teve início por volta das 8h e só foi totalmente debelado seis horas depois. Três funcionários estavam na loja quando perceberam o início do incêndio e acionaram o Corpo de Bombeiros. O galpão, por ter uma única entrada, dificultou o acesso dos bombeiros.
A opção foi resfriar as paredes do prédio para evitar que o fogo se propagasse pelas edificações vizinhas. Não houve feridos. O incêndio destruiu todas as mercadorias armazenadas no estabelecimento, todos produtos de alta combustão, como espuma, plástico e tecidos. O estabelecimento efetuava consertos em móveis e equipamentos de escritórios.
O proprietário do estabelecimento entrou em estado de choque e seus funcionários não quiseram falar sobre o assunto. Populares aglomeraram-se para observar o segundo grande incêndio deste ano em Bauru.
As causas do fogo estão sendo analisadas pela Polícia Técnica, mas é pouco provável que tenha cunho criminoso, segundo os bombeiros. O laudo deve ser divulgado em 30 dias. Os prejuízos serão contabilizados posteriormente pelo proprietário, mas informações extra-oficiais dão conta de que mais de 100 cadeiras de escritórios e computadores foram consumidos pelo fogo. Do interior do imóvel nada foi salvo.
A maior dificuldade encontrada pelos policiais no combate ao incêndio foi as modificações feitas no interior do barracão, sem a vistoria do Corpo de Bombeiros, segundo informou o comandante do 12.º Grupamento de Bombeiros, major Dilson Pedro Saltoratto. “A cada parede arrombada havia mais duas ou três paredes, o que inviabilizou o acesso dos bombeiros”, conta.
A dificuldade no acesso ao prédio deu grandes proporções ao incêndio. “O incêndio poderia ser combatido de imediato se no local tivesse área de circulação. O fogo alastrou-se rapidamente devido à quantidade enorme de material estocado”, relata.
O incêndio abalou o prédio e parte da edificação desabou. “A estrutura entrou em colapso. A parte da frente e a cobertura desabaram. Tivemos que combater o fogo pelas laterais e pela frente, que era a única entrada”, diz Saltoratto.
Trânsito e vizinhos
Por causa do incêndio, o trânsito na rua da rua Benedito Eleutério, desde a rua Campos Salles até a Wenceslau Braz, foi desviado para outras vias no período da manhã e tarde. A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) desligou a energia elétrica do prédio incendiado e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) apoiou o serviço dos bombeiros com caminhões-pipa.
O imóvel ao lado do prédio incendiado, uma residência localizada na rua professor Carlos Gomes P. Melo, não foi afetada. Na casa moram os jogadores do Esporte Clube Noroeste. Já um drive in, ao lado da loja, teve parte de uma parede afetada pelo incêndio.
O proprietário do drive in, que preferiu não se identificado, contou que acordou por volta das 10h com o barulho do fogo. “Eu fechei o drive in por volta das 4h e fui dormir. Acordei com o barulho do fogo. Não vi nada de anormal, durante a madrugada”, relembra.
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Sofás
O último incêndio de grandes proporções em Bauru ocorreu há cerca de 30 dias, no Parque São Jorge, próximo da Vila Vicentina, quando um estabelecimento comercial que reformava sofás foi incendiado. “São negócios de alto risco e que normalmente não possuem seguro”, diz o major Dilson Pedro Saltoratto, comandante do 12.º Grupamento de Bombeiros.
Ele ressalta que no incêndio de ontem a estratégia utilizada pelos bombeiros foi de resfriamento. “Como não tinha como desocupar o local do material combustível, ficamos resfriando as paredes e aguardando a combustão do material”, relata.
A preocupação dos bombeiros, de acordo com o comandante, era que o fogo se alastrasse porque havia vento. “Usamos cerca de 60 mil litros de água, 30 homens e oito viaturas”, frisa.
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Regras
Um decreto estadual determina que todas as edificações no Estado de São Paulo, exceto residências unifamiliares, tenham equipamentos e sistema de proteção contra incêndio, segundo o major Dilson Pedro Saltoratto, comandante do 12.º Grupamento de Bombeiros. “Isto quer dizer que as edificações têm que ter um projeto que após fiscalização dos bombeiros passa a ter um auto de vistoria”, frisa.
O prédio que abrigava a loja de venda e conserto de móveis incendiada ontem, garantiu Saltoratto, não possuía a vistoria dos bombeiros. “Eu não tenho números exatos de edificações que funcionam sem o auto de vistoria e sem condições de segurança na cidade”, ressalta.