Política

Requerimento questiona acordo na Cohab

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Os vereadores Milton Dota Jr. (PTB) e José Clemente Rezende (PSB) encaminharam requerimento à Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) questionando os motivos que levaram a direção da empresa a dar um desconto de R$ 36 milhões no repasse à Caixa Econômica Federal (CEF) dos valores do Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS).

A operação financeira faz parte do contrato de renegociação assinado entre a companhia e o banco no início deste mês, que envolve R$ 600 milhões de dívida.

“A Cohab deu em pagamento à CEF o que ela tem de melhor para pagamento parcial desse débito. Esses títulos da companhia valem R$ 231 milhões e deram ao banco por R$ 195 milhões. A autorização para firmar esse contrato deveria ter passado por essa Casa”, avalia Dota Jr.

Para ele, a empresa deveria ter oferecido como forma de pagamento à CEF os lotes urbanizados. “Poderia ter ofertado outros imóveis. Por que ofereceu justamente a melhor parte, que são os títulos públicos que gozam de liquidez quase que imediata no mercado? É isso que está no ar.”

Os questionamentos encaminhados à Cohab também são assinados por Clemente. “É muito estranho pegarem títulos saudáveis e aplicarem desconto de R$ 36 milhões. Todos conhecem a situação financeira da companhia. É preciso que se esclareçam essas dúvidas”, comenta.

O parlamentar do PSB também questiona a validade do contrato, que na sua opinião deveria ter sido avaliado pela Câmara Municipal. “Não sabemos se houve uma assembléia anterior a assinatura desse contrato para validá-lo. Se foi realizada, vamos solicitar a ata.”

“Só agora?”

O presidente da Cohab, Constante Mogioni, estranhou a manifestação de Clemente e Dota Jr. sobre a renegociação da dívida da empresa com a CEF.

“Nós estamos negociando com a Caixa Econômica desde março do ano passado. E sempre se ventilou uma renegociação da dívida oferecendo os possíveis créditos. E até hoje ninguém se manifestou sobre o assunto. Por quê só agora?”, questiona.

Mogioni lembra que Dota Jr. foi diretor da companhia e tem conhecimento de como ela funciona.

“Ele sabe, por exemplo, que o resgate de títulos do FCVS demora 30 anos. Nós não estamos dando títulos, mas sim os possíveis créditos. A Caixa Econômica aceitou porque acreditou na diretoria da Cohab.”

O presidente da Cohab explica que as casas construídas pela empresa estão todas hipotecadas pela CEF. “Praticamente são propriedade da Caixa Econômica.”

Ele diz que seria impossível a empresa oferecer os lotes urbanizados como forma de pagamento da dívida. “Eles não são propriedade da Cohab, mas da prefeitura. O que me admira é que estamos em negociação há 14 meses e os vereadores (Clemente e Dota Jr.) nunca se manifestaram nem para dar uma boa idéia.”

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