Guerra no Iraque 2003

Unesco vai investigar a tragédia ao patrimônio histórico iraquiano

Agência Folha
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Washington - A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) vai enviar uma comissão de especialistas em arqueologia e patrimônio histórico ao Iraque para avaliar o estrago causado pela guerra, em especial o saque ao Museu Nacional de Bagdá, na semana passada.

O grupo, que inclui sete especialistas iraquianos e 18 de outros países - entre eles o diretor do Museu Britânico, Neil McGregor- , se reúne quinta-feira em Paris para definir prioridades de ação e um plano emergência para o resgate das peças roubadas.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu aos outros países para juntar forças com a Unesco e impedir o comércio de objetos iraquianos roubados. Para alguns especialistas, no entanto, o dano é irreversível. A onda de saques que se seguiu à queda do regime de Saddam Hussein atingiu museus e bibliotecas em Mossul, Basra, Tikrit e Bagdá.

Na capital, a Biblioteca Nacional, onde estavam os exemplares mais antigos do Alcorão, foi incendiada. E o Museu Nacional, que abrigava milhares de artefatos da antiga Mesopotâmia (5.000 a.C), foi esvaziado. Para a arqueóloga Eleanor Robson, da Escola Britânica de Arqueologia no Iraque (Universidade de Oxford), a pilhagem do museu é um dos maiores crimes contra o patrimônio cultural da história. “Estou tentando pensar em desastres comparáveis a esse. Vêm à cabeça a destruição da biblioteca de Alexandria, no século 5º, e a de Bagdá pelos mongóis, em 1258. Em ambas as ocasiões, o conhecimento da humanidade foi destruído substancialmente.”

Robson diz que de 70% a 90% das mais de 250 mil peças do museu foram destruídas ou roubadas. Entre as que sumiram está um vaso de 2 m de altura da cidade suméria de Uruk e a harpa de ouro de Ur, assim como alguns dos primeiros registros escritos.

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