A quaresma estimula o consumo de peixe em todo o País. Muitas famílias religiosas adotam o período para abrir mão da carne vermelha e abusar dos pescados. A opção é muito interessante, pois o consumo de peixe auxilia na prevenção de vários tipos de doenças, inclusive cardíacas e neurológicas.
Os responsáveis pelos benefícios são os ácidos graxos ômega-3, que encontram-se em grande quantidade na gordura dos peixes, principalmente nas espécies de águas frias. Salmão, sardinha, cação, cavala, truta e atum são algumas das espécies consideradas ricas em ômega-3.
A endocrinologista Cibele Cabogrosso explica que os peixes têm um maior teor de gordura com o ômega-3, que produz no organismo o HDL, o “colesterol bom”. “O ser humano não produz ômega-3, mas precisa desses ácidos graxos para várias funções no organismo. Por isso, precisam ser consumidos na alimentação”, comenta a médica.
Cibele Cabogrosso lembra porém que é importante evitar o peixe frito. “A fritura traz a gordura saturada, que não é boa para o organismo. É melhor preferir os pescados assados, cozidos ou grelhados”, orienta.
A popular sardinha pode ser facilmente inserida no cardápio, aliando sabor a um preço acessível. “Mesmo a sardinha enlatada mantém os ômega-3, mas quem faz dieta, deve lembrar que o teor calórico é um pouco maior do que a fresca.”
Apesar de não estar comprovado cientificamente, há pesquisadores que acreditam na relação dos ômega-3 na inibição do câncer e até como um agente contra a depressão.
Aliás, o peixe, ou melhor, a pescaria, é uma forte aliada contra a depressão. Quem já viu pescador estressado. Se está estressado é porque está distante das águas há muito tempo ou o peixe maior fugiu.
Há pelo menos 15 anos sabe-se que os ácidos ômega-3 evitam a formação de placas que obstruem as artérias.
Isso leva alguns cientistas a crer que os ômega-3 podem colaborar para reduzir o sofrimento de pessoas portadoras de enxaqueca, por exemplo. Apesar dos estudos recentes, uma informação é certa: os peixes contêm ômega-3, que faz bem à saúde.
A nutricionista Sylvia Regina Vieira Tosi ressalta a digestabilidade do peixe. “Enquanto uma carne vermelha o ser humano demora mais de três horas para digerir, o peixe leva cerca de 40 minutos. Além disso, o peixe é fonte de proteínas e fósforo, fundamentais ao organismo”, reforça Sylvia.
Outra observação da nutricionista é que os peixes não sofrem a aplicação de hormônios, como nos bovinos, por exemplo.
Ela aproveita sugerir às pessoas que consumam peixes e até informa algumas receitas da revista Guia Alimentar para o Diabético. “Saborosas e muito saudáveis.”.
Para quem vai arriscar uma peixada na sexta-feira santa, Sylvia lembra que os peixes congelados não perdem seus teores de ômega-3.
“É importante ter cuidado na hora de comprar o peixe, saber da procedência, observar a cor, textura e se os olhos estão brilhando”, ensina a endocrinologista Cibele Cabogrosso, que inclui sempre o peixe no cardápio de seus pacientes.
Curiosidades
Uma das informações que estimulou as pesquisas sobre ômega-3 foi a saúde dos esquimós. Pesquisadores observavam que os povos que habitam as geleiras do Ártico, mesmo obesos, pouco sofriam de doenças cardíacas. A base de alimentação dos esquimós é o peixe, principalmente o salmão, rico em ômega-3.
Mesmo ainda não comprovado cientificamente, pesquisas sugerem também que o risco de um ataque cardíaco diminui significativamente entre as pessoas que possuem mais ômega-3 na circulação.
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Tainha recheada com farofa de atum
Ingredientes: uma tainha de 1 kg (aberta pelas costas), suco coado de três limões e sal a gosto
Ingredientes para a farofa: 50 g de margarina light, 2 colheres (sopa) de azeite de oliva, 2 dentes de alho amassados, 1 cebola grande em cubos, 2 tomates em cubos, 2 pimentões verdes em cubos, 1 lata de atum em água, 1/2 xícara (chá) de cebolinha verde picada, sal e pimenta a gosto e 1 xícara (chá) de farinha de milho amarela em flocos.
Preparo: Tempere a tainha com limão e sal e deixe marinar por 30 minutos, na geladeira.
Farofa. Em uma panela, derreta a margarina, junte o azeite e doure o alho. Acrescente a cebola, os tomates e os pimentões e refogue por 2 minutos. Adicione o atum e a cebolinha e tempere com sal e pimenta. Por último, misture a farinha de milho, mexendo muito bem.
Recheie o peixe com a farofa e prenda com palitos de dente para não soltar durante o cozimento. Coloque em uma assadeira antiaderente e asse em forno pré-aquecido (180ºC) por 30 minutos aproximadamente.
Sirva com arroz branco salpicado com cebolinha.
Dica: Para o peixe não grudar na assadeira, forre-a com fatias de pão amanhecido. Depois de assado, retire e despreze o pão.