Nada indica que no decurso de alguma das guerras mundiais, nas quais se desgastaram os homens dos primeiros tempos, tenham os litigantes, por mais religiosos que fossem, se preocupado em fazer a vigília de orações do tríduo pascal, existente a partir da Páscoa da Ressurreição. Quando aconteciam os três tradicionais dias específicos de vigília na intenção de Jesus, os homens estavam guerreando e assim continuavam, absortos, indiferentes ao respeito devido ao glorioso evento, até porque, na falta de sofisticados e suficientes armamentos bélicos, que ainda não tinham sido inventados, as tropas eram impulsionadas para confrontos pouco sangüinários, condizentes com as suas dificuldades naturais. Neste 2003, porém, os combates têm sido de uma ferocidade absurda, porque a antiga filosofia mudou diametralmente, como mudaram também os homens desta nova era. Aí estão eles com tudo nas mãos e nas cabeças felinas para se destruírem pessoal e coletivamente. Os dramas que recentemente se fizeram observar no Iraque, por exemplo, foram de aterrorização terrível, com o chão saturado de milhares de cadáveres e de prédios desmantelados, como que pretendendo acabar rapidamente com o universo, que os antepassados desejavam sepultar no início dos tempos. Pergunta-se como será o real epílogo do enorme conflito nas terras do Oriente Médio. Quando isso poderá vir a ocorrer? Poderiam as forças litigantes encherem-se da nobre evocação contida no atual tríduo de orações e suspenderem imediatamente os restos de batalhas, ainda em andamento, nas quais se debatem e se eliminam desnecessariamente? E responde-se que sim, sem dúvida, possuíssem eles a convicção de que a fraternidade, “palavra tão bonita, que o mundo tanto necessita”, foi instituída a partir do imenso sacrifício de Jesus em benefício de seus irmãos de todas as tendências e, por isso, impõe plena repetição não somente agora e, sim, nos futuros que hão de vir. Seria uma manifestação de fraternidade aplaudida com todos os cânticos de louvor à aleluia e à ressurreição da paz entre os homens de juízo e de boa vontade. Orações em invés de guerra, eis o que os céus almejariam hoje, nesta véspera da Sexta-feira Santa, com os tiros substituídos totalmente pelas evocações da piedade de Deus, como o fazem milhões de seres desejosos de paz. É a nossa opinião.(O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).
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