Washington - O presidente dos EUA, George W. Bush, pediu ontem às Nações Unidas a suspensão completa das sanções econômicas contra o Iraque, vigentes desde que o presidente Saddam Hussein invadiu o Kuwait, em agosto de 1990. “Agora que o Iraque foi liberado, as Nações Unidas deveriam suspender as sanções sobre o país”, declarou Bush durante visita a uma fábrica da Boeing em St. Louis, no Missouri (Sul).
“A resistência militar organizada praticamente acabou, e as maiores cidades iraquianas foram liberadas. Há uma semana, Bagdá estava cheia de estátuas e imagens do presidente (Saddam Hussein). Elas são difíceis de se encontrar hoje”, disse Bush. No final, acrescentou o presidente, “o povo iraquiano terá uma vida melhor do que qualquer coisa que teve em gerações”.
O pedido do presidente colocou contra a parede seus principais antagonistas na questão do Iraque na ONU. França e Rússia, principalmente, não apoiaram a guerra e agora dificilmente terão argumentos contrários à suspensão das sanções. Críticos das sanções afirmam que elas reduziram extremamente o padrão de vida iraquiano enquanto o regime de Saddam enriquecia lucrando com o mercado negro oriundo delas.
Com o pedido, Bush também espera legitimar a ação militar americana e britânica sem ter de abrir a concessão de dar à ONU um papel importante na estabilização e reconstrução do Iraque. Depois de ter dito, há uma semana, que a ONU teria um “papel vital” no Iraque, Bush não tocou mais no assunto.
O embaixador norte-americano na ONU, John Negroponte, participou ontem de uma reunião a portas fechadas no Conselho de Segurança. Na saída, disse que os EUA ainda não formularam um “texto ou uma resolução específica” sobre o assunto.
Já o assessor de Bush Scott McClellan, que viajou com o presidente a St. Louis, disse ser preciso “uma rápida transição do programa Petróleo por Comida para ajudar a recolocar o Iraque na economia global”. As sanções contra o Iraque atingem principalmente a receita do país com petróleo.
Hoje, o Iraque só está autorizado a exportar óleo em troca de alimentos e produtos essenciais para a população por meio de um programa supervisionado pela ONU. Segundo cálculos de Bathsheba Crocker, do Centro Internacional de Estudos Estratégicos de Washington, no atual estágio, a indústria petrolífera iraquiana pode produzir um superávit anual de cerca de US$ 4 bilhões livres ao país. “Pode ser bem mais, dependendo da velocidade dos investimentos no setor”, disse.
Em St. Louis, Bush afirmou a militares e trabalhadores da Boeing que o regime de Saddam Hussein “passou para a história” e que “o mundo agora é um lugar mais pacífico”. A fábrica visitada por Bush ontem produz a parte anterior dos caças F/ A-18 Super Hornets usados na guerra contra o Iraque.