Botucatu - Com uma dívida de R$ 315 milhões, o grupo Eucatex, da família do ex-prefeito e ex-governador de São Paulo Paulo Maluf, pediu anteontem concordata preventiva. O grupo atua nos mercados da indústria moveleira, da construção civil e agroindústria e mantém fábricas em Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru), Barueri, Salto e Paulínia.
Fundada em 30 de novembro de 1951, o grupo culpou a “calamidade dos juros” e as “constantes desvalorizações cambiais” pela decisão, formalizada na cidade de Salto, onde fica sua sede. O pedido de concordata envolve a Eucatex Química e Mineral e a Eucatex S/A Indústria e Comércio. Nele, as duas empresas propõem aos credores pagar a dívida em duas parcelas. A primeira de 40% no primeiro ano, e a segunda de 60%, no segundo ano.
Presidida pelo engenheiro mecânico Flávio Maluf, filho do ex-governador, o grupo possui 3,4 mil funcionários e gera 25 mil empregos indiretos. Em Botucatu, o grupo atua na área da indústria moveleira e pisos laminados, empregando cerca de 460 funcionários.
Procurados pela reportagem, os executivos do grupo e diretores da unidade de Botucatu não quiseram se manifestar. Através de sua assessoria de imprensa, o grupo divulgou um comunicado alegando que “as circunstâncias exigiram tal medida para que a empresa mantenha a capacidade de investimentos produtivos.”
Uma pessoa ligada à empresa afirmou que a Eucatex tomou a decisão por não ter mais nenhuma alternativa. De acordo com ela, o grupo não teria suportado a política de taxas de juros elevadas dos últimos oito anos do governo e a alta desvalorização do real.
O pedido foi preparado pelo escritório Leite, Tosto e Barros Advogados. Nele, a Eucatex menciona ter sofrido um “gigantesco aumento das despesas financeiras” com a desvalorização de 254% do real, entre 1999 e 2002, e com os juros que passaram a ser cobrados pelos bancos. A empresa mencionou ainda a diminuição da produtividade decorrente da crise de energia elétrica. Além disso, diz que sofreu com o fato de o capital estrangeiro ter fechado as portas para o Brasil.
Para dar idéia da gravidade da crise, o advogado do grupo informou que o patrimônio líquido da empresa em 2002 foi de R$ 269 milhões, enquanto seus encargos financeiros somaram R$ 400 milhões nos últimos anos. No ano passado, sua receita bruta foi de R$ 476 milhões.
A Eucatex diz, no pedido de concordata preventivo, que a empresa tem ativo suficiente para honrar seus compromissos comerciais e necessita apenas de tempo para reverter o perfil de seus débitos e proteger seu patrimônio.