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'Vinhos brasileiros precisam conquistar status', diz enófilo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

“O melhor vinho do mundo é aquele que você toma na companhia de quem você gosta”, diz o enófilo Carlos Ernesto Cabral de Melo. Especialista na bebida, ele garante que o vinho francês vive do marketing. “Os Brasil tem ótimos vinhos, mas ainda precisa conquistar status”, frisa.

Ele ressalta que o vinho francês é muito bom, mas também é beneficiado pela fama que fez no decorrer dos anos. “Os franceses venderam ao mundo uma idéia de que fabricam o melhor vinho. A bebida está num patamar de elevada conceituação não só pela qualidade, mas porque sua venda está restrita à camada mais abastada da população”, diz.

A fama do vinho francês, segundo o especialista, é mantida pelos ingleses e americanos, os maiores consumidores do produto. “O vinho francês atende uma camada muito restrita da população. Eles são os mais caros. Tem vinho francês que custa US$ 10 mil a garrafa”, ressalta.

O vinho brasileiro, garante Melo, é de altíssimo nível. “O Brasil produz vinhos excelentes, mas precisa do apoio da população. O brasileiro precisa tomar o vinho nacional e escrever para as vinícolas dando a sua opinião. Eu posso garantir que tem muita gente comprando vinho importado pior do que os nacionais”, sustenta.

A falta de status dos vinhos brasileiros é que inibem o consumo, segundo o enófilo. “Servir um vinho importado, especialmente o francês, valoriza o evento, dá credibilidade para o promotor. Mas há vinhos nacionais muito bons”, ressalta.

Melo acha que para a bebida nacional conquistar reconhecimento mundial é necessário que o consumidor exija. “Se o consumidor não é exigente, o mercado não evolui”, diz. No Brasil há três regiões vinícolas em franca produção, segundo Melo. “A mais tradicional é na Serra Gaúcha. As outras ficam no Vale do rio São Francisco e na fronteira do Brasil com o Uruguai, onde temos uma nova região vinícola. Todas produzem bons vinhos”, afirma.

Os vinhos, segundo pesquisas recentes comprovam, são ótimos para a saúde. De acordo com Melo, os brancos têm efeitos diuréticos enquanto os tintos são vasos dilatadores periféricos e coronarianos. “O enfarto é a doença que mais mata os brasileiros. Uma das causas é o excesso de gordura na alimentação. A cardiologia descobriu que o vinho tinto, tomado de forma adequada, faz uma limpeza nos vasos, favorecendo a circulação do sangue”, afirma.

Duas taças diárias de vinho, segundo o enófilo, são suficientes para melhorar a qualidade de vida do consumidor: uma taça no almoço e outra no jantar.

Na defesa da tese, ele faz uma comparação. “O francês consome mais gordura do que os brasileiros e lá a doença que menos mata é o enfarto, responsável por 1% das mortes. Eles acrescentam o vinho na alimentação diária. O vinho faz parte da cesta básica do europeu. A bebida tira as placas de gorduras das veias”, diz.

O francês, segundo Melo, consome 60 litros de vinho per-capita enquanto o brasileiro consome 1,7 per-capita. “O consumo de bebida no Brasil está dividido entre o aguardente e a cerveja, que representa 54 litros per-capita”, diz.

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Clima

O clima no Brasil não é obstáculo para um consumo de vinhos tão baixo, na opinião de Carlos Ernesto Cabral de Melo. “Na região de Bauru, por exemplo, mesmo o vinho tinto deve ser refrescado. Eu indicaria que a bebida fosse colocada na porta da geladeira meia hora antes de ser servida”, orienta.

A temperatura ideal para o vinho tinto ser servido é entre 16 e 18 graus. Já para o branco é de 6 a 9 graus. “Em um restaurante com ar condicionado em torno de 21 graus, o vinho não precisa ser resfriado. A temperatura ambiente o torna agradável”, afirma.

O que estraga o vinho é a oxidação, o contato com o ar, explica Melo. “Se a garrafa ficar aberta por até dois dias, pode ser guardada na geladeira, em pé. Deve chegar ao Brasil, ainda neste ano, um novo tipo de embalagem, tipo tetra-pack com tornerinha. Dentro dela tem um tipo de bexiga que vai murchando sem a entrada de ar”, conta.

O vinho do Porto deve ser bebido como aperitivo ou na sobremesa. “É famoso porque nasceu para ser mais que um complemento alimentar. É o mais rico em história, em variedades, tipos. Mantém sua identidade desde 1640 e tem uma tradição muito grande”, diz.

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