Ainda não se conseguiu um método 100% satisfatório ou que não provoque nenhum efeito colateral. Mas quando a palavra é contracepção as alternativas crescem no mercado e cada vez mais se adaptam aos anseios das mulheres modernas, que buscam segurança com conforto e praticidade na hora do prazer com prevenção.
Depois da revolução da pílula, muitas armas surgiram no combate à gravidez indesejada. Hoje, ao chegar numa farmácia ou consultório ginecológico é possível encontrar anticoncepcionais injetáveis em dose única, DIU que interrompe a menstruação, implantes subcutâneos, anel vaginal, pílulas diferenciadas e até um adesivo que libera hormônio na pele.
“Com isso, os métodos anticonceptivos vão se adaptando aos novos conceitos da mulher na sociedade. Mais recentemente, nos deparamos com uma gama de métodos diferentes, cada qual com suas vantagens e desvantagens, prontos para serem aprovados pelas mulheres. (Confira os detalhes nos quadros) Aquele que para uma mulher é ideal, para outra pode ser completamente inviável ou desaconselhável”, comenta a ginecologista Carla Lambertini Bonjorno, que já recomendou muitas das novidades às suas pacientes e agora, testa em um outro grupo os efeitos do anel vaginal e dos adesivos, recém-chegados ao mercado.
Ela conta que os resultados têm sido satisfatórios na maioria dos casos e encara os novos produtos como parte de um processo de libertação feminina.
A secretária M., 32 anos, usa há seis meses o anel e afirma que o método “dá de dez” na pílula anticoncepcional que foi sua companheira por mais de dez anos. “Chega uma hora em que o estômago não aceita mais”, revela.
Com o anel, ela se livrou também do inchaço e das dores durante o período pré-menstrual. A presença do novo “acessório” também passa despercebida o tempo todo, inclusive durante as relações sexuais. M. conta que até o marido aprovou o método.
Já a comerciante L. colocou o implante subcutâneo no dia 9 de janeiro deste ano e até agora só viu vantagens. Ela não menstrua mais e não sofre com a TPM, quando sempre tinha uma vontade louca de chorar e comer chocolate.
L. revela que o custo do método em princípio é salgado (R$ 800,00), mas a relação custo-benefício é compensadora. “Se colocar na ponta do lápis sai até mais em conta, pois usava dois absorventes de uma só vez, mais protetores íntimos no início e final do ciclo, tomava remédio para cólicas e comia muito chocolate. Se for computar isso em três anos, que é a durabilidade do implante, gastei bem menos.”
“Acredito que com todos esses métodos, a mulher já pode planejar a sua família sem que a vinda de um filho se torne uma ‘catástrofe’ para si e também para a própria família. Os filhos existiriam somente como resultado do amor e por ele esperado. Quando o casal assim desejasse... Mas os homens evoluirão um dia!!!...” avalia a médica, apontando que pesquisas têm mostrado desenvolvimento acelerado de métodos anticoncepcionais masculinos efetivos.
“Aí, nós mulheres, não precisaremos mais nos preocupar se a pílula engorda ou provoca celulites...”, finaliza.
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O que há de novo
Pílula que não engorda e melhora a acne
O grande diferencial da Yasmin, única no mercado, está no tipo de progestogênio que a compõe. Ele não promove a retenção líquida comum na maioria das pílulas anticoncepcionais e ao mesmo tempo, possui efeito antiandrogênico, isto é, anti-hormônio masculino, um dos responsáveis pela formação de acnes na mulher. São 21 comprimidos de uso diário, devendo ocorrer uma pausa de sete dias entre as cartelas.
Pílulas de baixíssimas doses hormonais
Tanto a Minesse, quanto Mirelle ou Siblima apresentam na utilização via oral estrogênio associado ao progestagênio, em baixíssimas dosagens, com a finalidade de impedir a ovulação. São 24 comprimidos a serem tomados diariamente, havendo uma pausa de quatro dias entre as cartelas.
Anel Vaginal
O Nuvaring é um anel flexível de silicone, que mede 5,4cm de diâmetro e é impregnado por um esquema hormonal (estrogênio e progesterona) de liberação lenta, que deve ser inserido no canal vaginal e aí permanecer por 3 semanas, quando então é retirado e, uma semana depois, novo anel deverá ser inserido. Neste período de pausa, geralmente ocorre a menstruação.
Sistema Intra-uterino Endoceptivo
O DIU Mirena (ou o DIU que não menstrua, como é chamado) é um dispositivo em forma de “T”, cuja haste vertical é revestida por um hormônio (progestagênio), liberado diretamente no útero. Tem como um de seus efeitos, a supressão da proliferação endometrial aproximadamente um mês após sua inserção, promovendo a redução do fluxo menstrual e até mesmo a supressão da menstruação. Tem duração de até cinco anos.
Implante subcutâneo
O Implanon consiste de uma estrutura que mais parece um palito de fósforo de plástico azul com 4cm de comprimento por 2mm de diâmetro revestida por um hormônio (progestagênio), que é inserido sob a pele do braço, onde poderá permanecer por até 3 anos, quando deverá ser removido. O implante libera lentamente um progestagênio, que impede a ovulação e aumenta a viscosidade do muco cervical, impedindo que os espermatozóides atinjam o óvulo.
Adesivos
O Evra é um “patch” ou selo adesivo que deve ser fixado na pele do braço ou abdome e semanalmente trocado, com efeito de liberação hormonal contínua sem a necessidade de ingerir um comprimido diariamente. Entretanto, como foi criado e testado nos países frios da Europa, o uso no Brasil, onde parte das mulheres chega a tomar três banhos ao dia, ainda tem sua eficácia questionada.
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Faça a coisa certa
Apesar da maioria dos anticoncepcionais ser vendidos sem retenção de receita médica, uma consulta ao ginecologista é fundamental para a adoção de um método anticoncepcional. O único método que pode e deve ser automedicado, seja por homens ou mulheres, é a camisinha em combinação com qualquer outra opção.
Além de sua eficácia, o ponto mais importante na escolha de um método contraceptivo é saber se o mesmo tem efeitos colaterais ou contra-indicações e só um médico poderá avaliar qual procedimento adotar em situações especiais.
Segundo Carla Bonjorno, a adoção de um método é uma combinação de fatores onde se pondera a idade da paciente, estar ou não amamentando, ser portadora de alguma doença como hipertensão arterial ou diabetes, uso concomitante de medicações como calmantes, antidepressivos ou antiepilépticos, sangramentos anormais, etc.
De um modo geral, quando considerada somente a idade da mulher, os benefícios de se utilizar qualquer método contraceptivo são geralmente maiores que os riscos, visto que as adolescentes são geralmente saudáveis, mas também são a parcela da população feminina que apresenta o mais alto risco para a gravidez não desejada, aborto não seguro e suas seqüelas.
Por isso, ela alerta às jovens que jamais tomem qualquer medicamento indicado pela amiga. O que pode ser bom para uma, por ter reações adversas na outra.
“Cada mulher apresenta um quadro clínico que pode ou não contra-indicar o uso de um anticonceptivo, bem como o mesmo método pode obter efeitos totalmente diferentes quando utilizados em diferentes mulheres, por isso, não existe contra-indicação absoluta de um método, sem antes um médico examinar a paciente”.