Regional

Paixão de Cristo de Ibitinga pede paz

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Ibitinga - O evento católico que comemorou a Paixão de Cristo anteontem à noite, no Estádio Municipal de Ibitinga (55 quilômetros a Nordeste de Bauru), não teve como enfoque principal apenas os últimos passos de Jesus Cristo. O Messias dividiu o trono com a temática da paz e da tolerância.

“Nosso público hoje aqui não são pessoas de uma mesma religião; são pessoas de várias religiões. E elas merecem ser saudadas por isso”, atesta o coordenador do evento, Robinson Pinheiro. O público de que fala Robinson foi estimado pela Polícia Militar de Ibitinga em 10 mil pessoas, que lotaram as arquibancadas e a parte externa do estádio.

O princípio da paz e da confraternização foi escolhido para contrapor o momento de guerra vivenciado pelo mundo nos últimos dias. “Enquanto vivemos um momento de guerra terrível, uma guerra sem nenhuma finalidade, e às vezes com um objetivo apenas econômico, nós vamos tentar fazer a paz aqui”, propõe Pinheiro.

O coordenador da peça, além de interpretar Jesus Cristo na encenação, é diretor do Grupo de Teatro Bom Jesus, responsável pelo evento. Para viver o personagem, Robinson Pinheiro, de 48 anos, se despiu do papel de bancário que exerce na vida real, e emagreceu sete quilos: “Eu tenho que chegar num peso ideal de 67 quilos, porque um dos cenários funciona com contrapeso. E eu tenho que ter exatamente esse peso”.

Pinheiro já interpretou Jesus 85 vezes desde 1982. “É um personagem muito forte. Acima de tudo, é uma responsabilidade muito grande por você estar transmitindo a mensagem do Evangelho. Eu fico muito orgulhoso, muito satisfeito”, diz. Segundo o ator, é uma interpretação muito difícil. “Mas eu tenho a preocupação de estar procurando fazer o melhor para que a mensagem seja transmitida e toque o coração das pessoas”, afirma.

O cabelo característico do personagem não é de Robinson Pinheiro, foi colocado com aplique, “para ter segurança na hora da apresentação”. Mas a barba é dele: “desde 1979”, brinca.

Bom Jesus

O Grupo de Teatro Bom Jesus completou, em 2003, 22 anos de apresentações em Ibitinga. Além da cidade natal, o grupo já se apresentou, nos últimos anos, em 19 municípios da região, sempre atraindo milhares de pessoas.

Ao todo, a encenação conta com a participação de 220 atores, entre personagens e figurantes. Cerca de 100 pessoas participam da organização, parte técnica e coordenação.

“São pessoas da comunidade, de todas as classes sociais, de todas as profissões. Nós temos aqui pedreiro, bóia-fria, alfaiate, costureira, bancário, enfermeiro, médico, advogado, é o congraçamento de classes realmente”, diz Pinheiro, o diretor do grupo.

O figurino é produzido por várias pessoas da comunidade e, este ano, foi desenvolvido por Áurea Galli, professora de Artes Cênicas da Universidade do Sagrado Coracão (USC), Bauru. A professora assumiu a direção de corpo do espetáculo e ensaiou o grupo com a ajuda de Pinheiro.

Números

Para a apresentação do espetáculo, foram usados cerca de 500m de tecido, contabilizando o figurino e o cenário. O grupo ensaiou por cerca de 150 horas desde janeiro, em três ensaios por semana. Oito cavalos participam da encenação, que durou cerca de 1h30. A pessoa mais velha entre os atores é uma senhora de 77 anos.

Comentários

Comentários