Doha - A guerra que segundo os Estados Unidos tornaria o mundo mais seguro com a queda de Saddam Hussein pode ter acabado, mas os problemas econômicos no centro do Oriente Médio continuam, dizem os especialistas.
O rápido crescimento populacional, a concentração de riqueza e de poder nas mãos de poucos, a corrupção e a economia altamente centralizadas em um único setor - o petrolífero - se somam para fomentar o extremismo político e religioso que os Estados Unidos esperam diminuir depois da invasão do Iraque.
“O fato de haver milhares de pessoas pobres e desempregadas ou subempregadas na região faz do Oriente Médio um local fértil para o recrutamento de extremistas. É muito simples”, disse Mahmoud El-Gamal, professor de economia islâmica na Universidade Rice, em Houston.
As questões econômicas são tão vultosas quanto o conflito israelo-palestino e líderes regionais dizem há muito tempo que os dois assuntos estão intimamente ligados.
As economias árabes sofrem com o baixo crescimento, desemprego, investimentos estrangeiros reduzidos e problemas estruturais que impedem a melhoria do padrão de vida das populações da região.
Um relatório das Nações Unidas diz que o PIB dos países árabes, que têm uma população total de 280 milhões de pessoas, foi de US$ 531 bilhões em 1999, comparado com US$ 595 bilhões da Espanha, que tem uma população de 40 milhões de pessoas.
As taxas de desemprego nos países do Oriente Médio estão geralmente em torno de 15% e parecem tender ao crescimento. Metade da população tem menos de 16 anos - números preocupantes numa região cujos problemas tendem a se tornar globais.
A raiva dos jovens árabes desempregados e com poucas perspectivas é um terreno fértil para grupos extremistas como a rede Al-Qaeda, de Ossama Bin Laden, suspeita de lançar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington.
Governos altamente centralizados e indústrias estatais são considerados responsáveis pelo baixo investimento privado e por uma classe média que tradicionalmente administra pequenos negócios.
Isto também dificulta a diversificação econômica nos países árabes, que têm pouco a vender ao mundo, com a exceção do petróleo.