Saúde

Intoxicação química: o que fazer?

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

As atitudes tomadas nos primeiros minutos após a inalação, ingestão ou contato com produtos tóxicos podem ser determinantes para a sobrevivência da vítima. Muitas vezes, o tempo gasto para chegar ao pronto-socorro é suficiente para que a substância deixe suas seqüelas. No entanto, é preciso saber exatamente o que fazer, porque a ação errada pode agravar o problema.

“Intoxicação química: como tratar” foi o tema de uma palestra promovida pelo curso de farmácia da Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru na semana passada. A professora de toxicologia Efigênia Queiroz de Santana falou sobre os incidentes mais comuns e como lidar com estas situações.

“Se você souber como agir na hora, ótimo, porque você reduz o tempo de absorção do veneno no organismo. Mas se você não sabe ou tem dúvidas, não faça nada. Vá direto ao hospital. Porque fazer a coisa errada pode ser muito pior”, adverte.

Ela conta que certa vez uma mãe, sem ter o que fazer para a família comer, resolveu refogar uma erva que cresceu no quintal. O marido e o filho foram parar no hospital com intoxicação.

“Mandaram me chamar. Procurei um botânico da faculdade para identificar a erva e descobrimos que a substância tóxica da planta era atropina (...) Quando consegui entrar no hospital, ouvi a médica dizer que ela tinha acabado de aplicar atropina no paciente. Felizmente deu tempo de reverter o quadro, mas ela poderia ter matado o rapaz”, lembra.

A especialista dá o exemplo - verídico - para mostrar que nem tudo se resolve provocando o vômito ou dando leite para a pessoa beber. Dependendo do produto que foi ingerido, vomitar ou ingerir leite pode simplesmente acelerar a intoxicação, o que mataria mais rapidamente.

Afinal, são produtos químicos que sofrem as mais diferentes reações quando colocados em contato com outras fórmulas. Existe um antídoto adequado para cada tipo de substância. Mas é preciso conhecimento para usá-lo, porque uma mistura química pode tanto neutralizar uma reação como pode potencializar seus efeitos.

Efigênia comenta que produtos de limpeza ou higiene, combustíveis, pesticidas e remédios podem se transformar em venenos mortais quando mal utilizados pelo ser humano. As crianças são as vítimas mais freqüentes deste tipo de incidente, mas adultos também se intoxicam – acidental ou intencionalmente.

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Bolhas de sabão

A história é real. Era uma tarde de domingo, no início deste ano. A família toda estava reunida na casa dos avós quando Vitória, 5 anos, pediu para brincar de bolhas de sabão. A mãe, Viviane, atendeu prontamente. Pegou uma caneca na cozinha, misturou água com detergente, colocou um canudinho dentro e entregou para a menina.

Vitória cansou logo, arrumou outra brincadeira e abandonou a caneca, ainda cheia, sobre um banco. A irmãzinha Laura, com pouco mais de 1 ano, encontrou a caneca, mas bebeu a mistura.O choro da menina chamou a atenção de todos. Quando se aproximaram, ela soltava bolhas de sabão – pela boca. Gritaria, desespero e a garota foi levada à Santa Casa. O caso era grave e Laura foi encaminhada ao hospital da cidade vizinha. Seus batimentos cardíacos já estavam alterados, os médicos fizeram lavagem estomacal e ela ficou bem.

A mãe levou várias broncas: ela usou a caneca errada, o canudo errado e o produto errado. Fazer bolhas de sabão é muito divertido, mas há produtos especialmente desenvolvidos para isso – totalmente seguros para a criança.

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