Saúde

Criança aprende pela boca

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

A vendedora Elaine Aparecida Botelho aprendeu no susto que as primeiras experiências do bebê com o mundo a sua volta acontecem pela boca. O filho Gabriel (foto acima) tinha cerca de 9 meses quando derramou água sanitária pelo corpo e na boca.

“Essas coisas acontecem num piscar de olhos. Eu cheguei com as compras do supermercado e coloquei tudo no chão por alguns instantes. De repente, Gabriel correu para mim assustado pedindo colo. Ele havia mordido o bico do frasco de água sanitária. A tampa saiu e o líquido virou em cima dele”, conta a mãe.

Segundo ela, o socorro só foi rápido porque a pediatra foi imediatamente localizada por telefone e, mesmo à distância, deu algumas orientações - leite para beber, muita água para lavar o corpo e uma pomada para aliviar a irritação.

“Depois disso, eu procuro manter tudo bem alto para ele não pegar, porque criança é terrível. Eles querem experimentar tudo e tudo vai primeiro na boca”, adverte Elaine.

A especialista em toxicologia Efigênia Queiroz de Santana lembra que as crianças são as principais vítimas de intoxicação química. E quanto menor é a vítima, mais rápido é o efeito nocivo do veneno, ou seja, menor é a chance de se reverter o quadro.

“Tem uma situação de intoxicação que é muito comum. A pessoa coloca inseticida em toda a casa no final da tarde para se livrar dos insetos. Só que aí ela fecha tudo com a família lá dentro. Houve um caso de uma noiva que resolveu pulverizar a casa no dia do casamento. Ela fez tudo rápido, fechou a casa e foi embora. Depois da cerimônia, os noivos foram para a casa. A noiva não acordou no dia seguinte”, conta.

Segundo Efigênia, a moça já teria inalado grande quantidade do inseticida durante a aplicação. Quando voltou para a casa e inalou mais, ela atingiu a dose letal do produto. “Depois de algum tempo a gente não sente o cheiro, mas o veneno está lá. Quando for aplicar inseticida, deixe a casa aberta. O inseto é muito sensível ao cheiro e com certeza não vai entrar”, orienta.

Mesmo com todas essas recomendações, prevenir é a melhor atitude. Produtos químicos, bebidas alcoólicas, venenos e remédios devem ser sempre mantidos em local muito bem protegido, de preferência trancados.

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