Saúde

Rouquidão pode ser câncer

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Dentre todas as alterações que podem afetar as estruturas vocais, o câncer de laringe é a mais grave e a maioria dos casos acomete as pregas vocais. De acordo com a fonoaudióloga Alcione Ghedini Brasolotto, a rouquidão prolongada pode ser um sinal da doença.

“Toda rouquidão que dura mais de 15 dias deve ser investigada por um profissional”, adverte. Ela comenta que qualquer pessoa pode ficar rouca de repente em função de uma gripe ou porque gritou durante um jogo ou show. Porém, em ambos os casos, a voz tende a voltar ao normal em poucos dias. Se ela não volta, há indícios de que existe uma alteração mais séria.

Isso não significa que toda rouquidão venha acompanhada de um diagnóstico de câncer. Mas, segundo Brasolotto, muitas pessoas que têm rouquidão aprendem a conviver com ela e deixam o tempo passar. Com isso, o problema só aumenta, seja ele qual for.

“E não é só a rouquidão. Às vezes o câncer pode estar um pouco acima ou abaixo das pregas vocais e a pessoa pode sentir dor ao falar ou deglutir (engolir), sensação de ardor constante na garganta ou dificuldade respiratória. Por isso, o ideal é que as pessoas busquem orientação a qualquer desconforto persistente”, salienta.

Estatísticas da Sociedade Brasileira de Laringologia e Voz (SBLV) mostram que o Brasil é o segundo País no ranking de maior incidência de câncer de laringe no mundo, com 15 mil casos novos e 8 mil mortes por ano.

Segundo a fonoaudióloga, um índice de mortalidade preocupante. Ela afirma que as pregas vocais têm pouca vascularização e isso dificulta o processo de metástase do tumor. “Então, descoberto numa fase inicial, ele tende a ser de fácil tratamento, mesmo que este tratamento altere a voz do paciente”, salienta.

Porém, se a pessoa não se incomoda com a rouquidão e não busca orientação profissional, o problema aumenta e, a médio prazo, pode matar.

Além do uso abusivo da voz, outros hábitos podem contribuir para o aparecimento do câncer de laringe, segundo Brasolotto. “Cerca de 80% a 90% dos tumores desenvolvem-se em pacientes que fumam ou são alcoolistas”, afirma.

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