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Tiradentes: mártir da Independência


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Dia 21 de abril de 1872. Data da morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. 211 anos são passados. De lá para cá nenhum outro homem recebeu a láurea de mártir. Pelo menos pela determinação, honradez e ação patriótica que poderiam alçá-lo ao epíteto de herói nacional. Atualmente, a corrupção reinante e a roubalheira constantemente denunciadas pela mídia impedem que floresça em alguém a possibilidade de ser venerado, reverenciado, respeitado, admirado, considerado, a ponto de transformar-se - por vontade do povo - num novo magnânimo brasileiro.

Os valores morais perdem-se entre os costumes modernos e a desenfreada corrida pelos pecados da grandeza, da exuberância, da luxúria e da arrogância, fazem renascer, constantemente, a famígera lei de Gerson e o egoísmo, que persistem no coração dos homens a enaltecer o amor excessivo ao bem próprio, sem qualquer consideração aos interesses alheios. Rememoremos: em 1792, amanhecia o dia 21 de abril, que abriria a eternidade para o único inconfidente mineiro condenado à morte. Os demais tiveram a pena comutada em degredo perpétuo. O frei Raimundo Penaforte, que acompanhou os últimos momentos de Joaquim José da Silva Xavier, escreve: “Morre o homem, nasce o mito”.

O Alferes Silva Xavier tinha um caráter excepcionalmente elevado, pois suas respostas no primeiro depoimento em 22 de maio de 1789 e no interrogatório realizado cinco dias após respondeu firmemente, sem medo, não comprometendo a quem quer que seja, negando tudo, sem especificar detalhes da conspiração, o mesmo acontecendo em 30 de maio de 1789. Porém, quando acareado com Joaquim Silvério dos Reis, sofreu um forte abalo, pois até então, Tiradentes não sabia que Silvério dos Reis havia delatado a conspiração e neste momento descobriu que a revolução e os revolucionários já eram do conhecimento dos devassantes. Após mais de seis meses incomunicável, ele é novamente interrogado em 18 de Janeiro de 1790, quando resolveu confessar a participação no movimento revolucionário, assumindo sozinho a culpa e isentando os demais participantes, dizendo que planejou a revolução por motivos pessoais.

Assim, o radical revolucionário iluminista do século 18 lavara a alma e entregara sua vida. A estrutura moral de Tiradentes revelada por seus depoimentos é que lhe conferiu a grandeza de líder da fracassada revolução mineira de 1789, pois em todos os depoimentos que continuaram até ao seu enforcamento continuou despistando e negando a participação de outras pessoas. Tiradentes foi morto na manhã de um sábado dia 21 de Abril de 1792, em uma forca armada no Largo da Lampadosa (hoje Praça Tiradentes) defronte a Igreja da Lampadosa, no Rio de Janeiro.

O carrasco entrou na Cadeia Pública do Rio de Janeiro e procurou Tiradentes para vestir-lhe a alva e o capuz e pediu-lhe, como de costume, o perdão pelo que iria fazer. Tiradentes respondeu-lhe: “deixe-me beijar-lhe as mãos e os pés” e começou a se despir para vestir a alva e comentou que Nosso Senhor também morreu nu. Executada a sentença, o corpo de Tiradentes foi retirado da forca, colocado numa carreta do Exército e conduzido para a Casa do Trem, onde foi esquartejado, as suas carnes salgadas e acondicionadas em sacos de couro para serem transportadas para os locais onde deveriam ser colocadas em exibição e execração pública até que o tempo as consumisse.

Os objetos pessoais que ele levara para a cela foram leiloados aos 14 de junho, no Rio de Janeiro, e a sua caixa de dentista fora arrematada aos 4 de junho de 1792 por Francisco Xavier da Silveira e hoje em dia encontra-se no Museu Histórico Nacional.

Os ideais não se confundem. Uns, deixam-se levar pela cobiça e pela avareza. Outros, legam-nos os ensinamentos do sacrifício e do patriotismo. O cenário cristão da sociedade brasileira daquela época, acalentou o idealismo de Tiradentes que hoje recebe as homenagens legais, prestadas pela Polícia Civil e pela Polícia Militar, a partir das 9h, na Praça D. Pedro II, 3-20, defronte à sede da Delegacia Seccional de Polícia de Bauru em cumprimento ao que determina o Decreto Lei n. 9.208, de 29 de abril de 1946, sancionado pelo presidente da República Eurico Gaspar Dutra, em consideração à ação do bravo proto-mártir da Independência, como soldado da Lei e da Ordem. (O autor, Abel Fernando Marques Abreu, é delegado de Polícia Assistente da Delegacia Seccional de Polícia de Bauru)

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