Bairros

DIR vai gerir cirurgia não-emergencial

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

A partir de hoje, todas as cirurgias não-emergenciais do Sistema Único de Saúde (SUS) serão administradas pela Central Reguladora de Serviços. A criação do órgão foi anunciada ontem à tarde pela Direção Regional de Saúde (DIR-10), que controlará a demanda e o agendamento das operações não-emergenciais, ainda suspensas por prazo indeterminado.

A iniciativa da DIR-10 vem a reboque da decisão da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) de interromper, na quinta-feira passada, todas as internações feitas mediante agendamento para os pacientes do SUS. A associação, que administra os hospitais de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel, alega ter internado além da cota acordada com o Ministério da Saúde, que lhe deve R$ 2 milhões.

“A criação da Central Reguladora de Serviços já estava prevista, porém a antecipamos devido à situação. Não contávamos com a suspensão de atendimento, mas o órgão já estava planejado”, explica o diretor técnico da DIR-10, Affonso Viviani.

De acordo com ele, todos os pacientes que já tinham cirurgias agendadas e que não foram efetivadas devido à suspensão do atendimento por parte da AHB devem procurar a Ouvidoria da DIR-10 a partir de hoje.

“Eles serão priorizados porque estão aguardando a mais tempo e precisam das cirurgias. Amanhã (hoje), tenho reunião agendada com os responsáveis pelo Ambulatório de Especialidades e pelo do Hospital de Base para informá-los sobre as mudanças”, ressalta.

Conforme informa Viviani, a central vai concentrar toda a demanda, avaliar caso por caso para confirmar a necessidade de intervenção cirúrgica e, posteriormente, agendar as operações no Hospital de Base (HB) ou Hospital Estadual (HE). Para tanto, as solicitações médicas serão analisadas por um assistente social, um médico e um funcionário administrativo, que integram a Central Reguladora de Serviços.

“É bom frisar que não será uma transferência de fila da AHB para o Hospital Estadual. Será um redirecionamento de cirurgias, que também inclui o Hospital de Base. Na somatória, isso vai representar um número superior de operações”, defende.

Espera

O diretor técnico da DIR não soube informar o total de pacientes aguardando o agendamento de cirurgias não-emergenciais, número que será levantado nessa semana. Porém, informa que na área de cirurgia infantil, 250 crianças esperam a oportunidade e na especialidade de otorrinolaringologista, cerca de 430.

No sistema atual, esses pacientes dependem da disponibilidade pessoal do médico, de uma vaga para internação e outra no centro cirúrgico, o que acaba atravancando o fluxo de operações, defende Viviani.

Ele também não soube precisar quando as cirurgias serão retomadas, já que dependem do acerto financeiro entre o Secretaria do Estado da Saúde e da AHB e do funcionamento das unidades de tratamento intensivo (UTIs) do HE.

O responsável pela DIR-10 confirmou a previsão do diretor HE, Carlos Alberto Macharelli, publicada na edição de sexta-feira. Na oportunidade, ele informou que a UTI estará disponível a partir da primeira semana de maio.

“Quem orienta o funcionamento do HE é a DIR-10. Existe a possibilidade do hospital fazer um esquema de mutirão de cirurgias aos sábados e domingos. A idéia é reduzir a demanda”, ressalta o diretor técnico da DIR-10. Contudo, o contato que definirá a inclusão do HE na Central Reguladora de Serviços será feito assim que as unidades de tratamento intensivo estiverem funcionando, garante.

Na semana passada, o diretor técnico do HE não havia sido informado oficialmente sobre a suspensão dos atendimentos eletivos pelo AHB.

Viviani espera que em quatro meses a situação entre o governo do Estado e a AHB se resolva. Segundo ele, o pagamento referente ao excedente de cota deve ser feito de maneira parcelada.

• Serviço

A Ouvidoria da DIR-10 fica, na rua Quintino Bocaiuva, 5-45, nos Altos da Cidade.

____________________

Impasse com AHB depende do Estado

Na próxima semana, técnicos da Direção Regional de Saúde (DIR-10) vão discutir com o governo do Estado uma maneira de liquidar o débito de R$ 2 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS) junto à Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Devido ao débito, a entidade suspendeu as internações eletivas desde quinta-feira, com a concordância da DIR-10.

Quem garante é o diretor técnico da DIR-10, Affonso Viviani, que esperava para fevereiro uma contrapartida do Ministério da Saúde. “Existe uma reivindicação de R$ 15 milhões para a Secretaria do Estado da Saúde e os municípios em gestão plena. Como ela não foi aprovada no Ministério, impossibilitou a correção da defasagem na área de internações”, explica.

Em contrapartida, os hospitais da AHB estão trabalhando com capacidade máxima, pois tornaram-se referência para Bauru e cidades da região, informa. O Sistema Único de Saúde (SUS) representa mais de 90% dos atendimentos feitos pelos hospitais da AHB. Por mês, eles fazem cerca de 1.900 internações. Destas, entre 190 e 285 são previamente agendadas por não serem consideradas de urgência e emergência.

“A suspensão das internações é temporária e foi uma decisão necessária e pactuada com a DIR-10. Com autorização da Secretaria do Estado da Saúde, estávamos fazendo a reestruturação da programação física e financeira do HB”, enfatiza.

Viviani confirmou que o futuro do Hospital de Base (HB) é o de prestar serviços diferenciados no atendimento a cirurgias de urgência e emergência. Para isso, o perfil do HB está sendo estudado.

“Já Hospital Estadual (HE) está sendo construído justamente para ser referência nas cirurgias eletivas”, completa.

Enquanto o cronograma da DIR-10 não se cumprir, os usuários do SUS continuarão prejudicados, como é o caso de Cintia Cristina de Oliveira Darico.

Ontem, ela tentou internar seu filho de 9 anos que estava com cirurgia marcada para hoje. Porém, foi surpreendida com a notícia de que a criança não seria submetida à operação devido à suspensão dos atendimentos.

“Já estava na fila há um ano e me encaixaram para fazer a cirurgia. Agora não querem internar o garoto e ninguém explica como devo proceder. Eu sei que não é culpa dos médicos, porque eles também se dizem perdidos. O que devo fazer?”, questionava pela manhã.

Comentários

Comentários