O total de cirurgias não-emergenciais realizadas pelo Hospital Estadual (HE) de Bauru está 60% aquém da expectativa. A meta de operações aprovadas pela Secretaria do Estado da Saúde e fixada atualmente é de 80 por mês, contudo apenas uma média de 30 pacientes são submetidos ao procedimento.
Embora nem o número estabelecido de cirurgias seja alcançado, hoje o hospital dispõe de infra-estrutura capaz de viabilizar 150 operações mensalmente. Enquanto o HE faz menos cirurgias do que pode, o Pronto-Socorro Central está lotado de pacientes à espera de vagas.
As informações foram confirmadas ontem pelo diretor executivo do HE, Emílio Curcelli, quase uma semana após a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) anunciar a suspensão, por tempo indeterminado, das cirurgias não-emergenciais para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
A associação, que administra os hospitais de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel, alega ter internado além da cota acordada com o Ministério da Saúde, que lhe deve R$ 2 milhões.
Enquanto os usuários do SUS aguardam o fim do impasse e a retomada das operações, as salas cirúrgicas do HE, que no total somam 12, permanecem ociosas por razões ainda desconhecidas por parte da diretoria do próprio hospital e da Direção Regional de Saúde (DIR-10). Profissionais da área ouvidos pelo JC ventilam algumas possibilidades que podem justificar a baixa demanda.
Entre elas, o vínculo médico-paciente, a triagem realizada no ambulatório do HE, dificuldades no encaminhamento dos casos ao hospital e até escassa necessidade de operações.
Porém, na opinião de Curcelli, a situação pode ser revertida quando os encaminhamentos para o ambulatório do HE aumentarem, já que ele servirá como porta de entrada do hospital. Lá, avaliações médicas podem recomendar ou não internações ou cirurgias, explica.
“Hoje nós temos cinco salas de cirurgia funcionando e dois leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) de retaguarda, mas estamos antecipando algumas metas. A previsão ambulatorial para dezembro, por exemplo, já está funcionando hoje. Tínhamos de oferecer 16 especialidades até agosto, mas elas já estão disponíveis, além de outras, como oftalmologia e otorrino”, ressalta.
Segundo ele, com o intuito de informar a região sobre os novos serviços e devido à baixa demanda para operações, a diretoria do hospital passou a realizar reuniões individuais com os secretários de saúde das 39 cidades da região. Anteriormente, os encontros mensais eram conjuntos.
“O índice de abstenção ambulatorial é de 40% e estamos tentado levantar as razões junto com os secretários. Queremos saber por que os pacientes que têm consulta agendada não comparecem. Talvez seja um problema de transporte, por exemplo”, arrisca o diretor.
Uma outra hipótese levantada por ele para explicar a pequena procura por cirurgias eletivas no HE é a real necessidade das operações. Conforme explica, todos os pacientes encaminhados são reavaliados por profissionais, que nem sempre recomendam as cirurgias como alternativas de tratamento.
Ele também não descarta a possibilidade do paciente preterir a cirurgia no hospital porque prefere aguardar a disponibilidade do médico que o assiste em outro serviço. “O ato médico pressupõe confiança mútua. Só serão operados no HE, aqueles que concordarem”, comenta.