Bairros

ONG refloresta nascente do rio Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O rio Bauru, que recebe quase 100% do esgoto de Bauru - mais de mil litros de detritos por segundo, segundo o Fórum Pró-Batalha -, ganhará 12 mil mudas de espécies nativas plantadas em suas nascentes. O Fórum Pró-Batalha, uma organização não-governamental que há seis anos está reflorestando as margens do rio Batalha, iniciou agora um projeto de recuperação e conservação da mata ciliar do rio Bauru, que corta a cidade.

Na primeira etapa do projeto serão plantadas mudas de ipê, aroeira, jequitibá e ingá num trecho de 1,2 quilômetro entre a nascente do rio Bauru, no córrego da Ressaca, em direção ao encontro com o córrego Água da Forquilha, segundo Katarini Miguel, do Fórum Pró-Batalha. O projeto está sendo executado com verba do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), através do Comitê da Bacia Hidrográfica Tietê-Paraná.

David Pompei, integrante da ONG e engenheiro agrônomo responsável pela execução do projeto, prevê ainda outras duas etapas, estima que serão plantadas, ao todo, 60 mil mudas às margens do rio Bauru visando a recuperação de 50 hectares na região da bacia. Paralelamente ao trabalho da ONG, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) tenta obter verbas para tratar o esgoto hoje jogado no rio Bauru, um projeto orçado em R$ 57 milhões.

Em julho do ano que vem vence o prazo concedido pelo Ministério Público à Prefeitura de Bauru para começar o tratamento do esgoto da cidade. O projeto todo inclui a ampliação de emissários para canalizar o esgoto e a construção de uma grande estação de tratamento na Vargem Limpa.

Apesar de vários pedidos de verba ao governo federal, o DAE ainda não conseguiu ajuda para iniciar o tratamento de esgoto, segundo Sandra Faria, assessora de imprensa da autarquia. O DAE pretende utilizar recursos próprios para desapropriar a área onde será construída a estação de tratamento neste ano. A previsão é gastar R$ 300 mil.

Também neste ano, o DAE quer construir pelo menos mais 2,5 quilômetros de interceptores (canalização do esgoto para a estação de tratamento, o que evita o despejo dos detritos nos rios). A construção de interceptores é o primeiro passo para fazer o tratamento.

Se a prefeitura não cumprir o prazo dado pelo Ministério Público para tratar o esgoto estará sujeita à multa diária. “O rio Bauru, no trecho urbano, não tem mata ciliar. O ideal é que o esgoto já estivesse sendo tratado, mas qualquer ação para proteger o rio já ajuda. Pensamos num rio Bauru despoluído e com as margens arborizadas, como um jardim”, diz Sandra.

O Fórum Pró-Batalha lembra que de acordo com a resolução 20 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o rio Bauru pertence à classe 4, o que indica águas contaminadas e poluídas. A ONG já plantou mais de 180 mil mudas de espécies nativas nas margens do rio Batalha, responsável pelo abastecimento de água de 43% da cidade.

Em 2000, a ONG mudou seu estatuto e passou a ter também como finalidade a proteção, recuperação e preservação da Bacia Hidrográfica do rio Bauru. Para Nilcéia Paes Lourenço, presidente do Fórum Pró-Batalha, afirma que como Bauru participa de comitês das duas bacias que cortam a região, a ação da entidade tornou-se estratégica. “O rio Bauru, além de estar profundamente degradado, corta todo o município e precisa de atenção”, frisa.

Comentários

Comentários