Política

Para Nilson, fornecedor é incoerente

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O gabinete do prefeito Nilson Costa (PPS) afirmou ontem que não é coerente a manifestação do fornecedor J.P. Gouveia em relação ao preço da carne para a merenda escolar pago à empresa Bom Bife no final do ano passado porque a empresa também solicitou reajuste. A J.P. apontou que houve aumento no atacado, no final de 2002, mas contestou que o realinhamento de preço concedido à Bom Bife ficou acima da realidade.

A prefeitura comenta que a J.P. Gouveia pediu aumento no preço para entregar acem sem osso para a merenda. Na visão do gabinete, a postura torna incoerente a crítica do fornecedor - que ficou em segundo colocado na licitação em que disputou a entrega de dezenas de toneladas de carne para a merenda.

A questão é que a J.P. Gouveia informou isso ao JC anteontem. O representante Evandro Pakonio deixou claro que a solicitação de realinhamento foi feito só para a carne tipo acem e, ainda assim, em abril deste ano.

A administração enviou documento confirmando que o requerimento da J.P. foi feito em 4 de abril passado. A prefeitura ainda não decidiu se vai conceder ou não o pedido.

Acima do mercado

Evandro Pakonio informou que pediu reajuste para entregar cerca de 1.800 quilos de acem. Ele venceu a licitação para este item a R$ 3,28 o pacote, mas quer entregar o restante a R$ 4,60. “O reajuste de 40% ocorre para este produto e mesmo assim neste momento. Para os demais produtos não justifica o realinhamento concedido nem no final do ano”, atesta

A J.P. Gouveia afirma que o realinhamento concedido pela prefeitura ficou acima da realidade do mercado atacadista para o período (final de 2002). O distribuidor comenta as cotações dos produtos no período em comparação com o que a prefeitura pagou (antecipado) para a Bom Bife.

Segundo a J.P., a defasagem existe. “A carne moída do patinho está bem cara. Você vai encontrar em distribuidor a carne moída a R$ 4,90 (foi pago a R$ 5,73 para a Bom Bife). Eu vendo hoje a R$ 4,70 no atacado”, contou Pakonio.

A diferença também teria ocorrido para o bife. “O bife a R$ 7,30 como foi pago aí também está bem caro. Isso dá para fazer uns R$ 5,80 para disputar uma licitação. A carne realmente teve aumento grande no final do ano. Mas não justifica esse aumento que eles pediram”, enfatiza.

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Segundo colocado

A ex-presidente da Comissão de Licitação da prefeitura, Maristela Gebara, comentou, ontem, que a lei prevê que o segundo colocado em licitação seja convocado para assumir o lugar do primeiro desde que execute o contrato pelo menor preço. A citação veio em função da discussão em torno da majoração de preços concedida à Bom Bife.

Segundo ela, o processo é formal. “A primeira classificada é chamada a fornecer e se por qualquer circunstância ela não o fizer o serviço público pode chamar o segundo colocado. Mas o segundo colocado tem a obrigação de fazer o fornecimento pelo preço do primeiro que ganhou a licitação”, cita.

Mas a situação apontada por Gebara não ocorreu na licitação para a entrega de carne no final do ano porque a prefeitura concedeu reajuste de preço para a Bom Bife. Por outro lado, a J.P. Gouveia afirma que o realinhamento ficou acima da realidade.

A servidora confirma que a J.P. não chegou a ser convocada porque ocorreu a concessão de realinhamento de preço para a Bom Bife. “O primeiro classificado fez uma petição para a prefeitura de um realinhamento de preço e esse realinhamento foi considerado conseqüente”, conta.

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