Geral

Paciente que fez reimplante de mão pode receber alta em dias

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Após ter passado pela segunda cirurgia anteontem, Márcio Matias Ribeiro, submetido a um reimplante de mão no sábado, pode receber alta na próxima semana. Quem garante é o microcirurgião e cirurgião plástico Carlos Augusto Cameschi, que o operou nas duas ocasiões.

Ele, junto com outros seis especialistas, restabeleceu o membro da vítima numa cirurgia que durou 13 horas. Conforme o JC publicou, Ribeiro chegou ao Pronto-Socorro Central (PSC), com a mão decepada enrolada num pano, dentro de um balde. Na mesma noite, após ser encaminhado ao Hospital de Base (HB), ela já estava reimplantada. O rapaz sofreu um acidente na serraria onde trabalha.

Anteontem à tarde, foi realizada a segunda etapa da cirurgia, quando os três nervos da mão do paciente foram religados. Na primeira operação, foram ligados vasos e tendões. Além de Cameschi, o ortopedista e microcirurgião Emerson Campos participou da nova intervenção que, se não fosse feita, resultaria na deformação da mão, na atrofia de alguns músculos do membro, além da falta de sensibilidade.

“Os nervos foram religados com enxertos retirados da perna do paciente. Se forçássemos sem o enxerto, poderia haver esgarçamento do nervo, que sofre efeito elástico e se retrai. Foi uma medida de segurança”, explica o cirurgião plástico. De acordo com ele, o diâmetro do maior nervo (mediano) é de um centímetro e o do menor (radiano) é de 0,4 centímetros.

A cirurgia, que durou quatro horas, foi tecnicamente mais fácil que a primeira.

“O uso de uma cola humana - a base de uma proteína - facilitou. O organismo a produz, mas a ciência a concentrou. Ela é cara, mas cola imediatamente, o que aumenta a segurança e diminui o tempo de cirurgia, que poderia demorar o dobro”, enfatiza.

Cameschi conta que o único momento de apreensão durante a segunda intervenção foi quando a mão do paciente começou a roxear devido à temperatura do ambiente climatizado. A situação poderia indicar falta de circulação no membro, porém o fluxo de sangue sempre esteve presente, garante.

“A sala foi aquecida e a operação seguiu normalmente. Se correr tudo bem, na próxima semana Ribeiro pode receber alta. Em um ano, a sensibilidade da mão deve voltar. Até lá, deve sentir um formigamento, quando a região dos nervos for tocada”.

Apesar do otimismo, os risco de infecção ainda não foram descartados.

Comentários

Comentários