Barra Bonita - Se o turismo fluvial ainda está abaixo das expectativas na hidrovia Tietê-Paraná, o mesmo pode ser dito com relação ao transporte de cargas. É o que afirma o almirante da Marinha Carlos Afonso Pierantoni Gambôa. “No ano passado, ela bateu um recorde ao transportar 2 milhões de toneladas. Com um pequeno empurrão, podemos chegar a 20 milhões.”
Gambôa aponta a principal medida a ser tomada. “As embarcações que saem carregadas de grãos do Centro-Oeste, com destino a Santos, voltam vazias. Elas deveriam levar os bens industrializados fabricados ao redor do Tietê para as regiões mais carentes nesse setor.”
A hidrovia Tietê-Paraná tem 2,4 mil quilômetros de vias navegáveis e corta os Estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Ao longo do trajeto, há dez eclusas, como as de Barra Bonita, Bariri e Ibitinga. Além disso, há cerca de 30 terminais de carga instalados, entre eles o de Pederneiras.
O primeiro trecho da hidrovia começou a operar em 1981 e tinha 300 quilômetros de extensão.
Água limpa
O almirante foi um dos idealizadores do projeto Conhecendo a Hidrovia Tietê-Paraná. “A idéia surgiu no início do ano como uma forma de divulgar a importância do rio. A presença do Lars Grael é a prova de que o governador tem interesse nesse assunto.”
Para ele, é importante preservar e recuperar o rio para motivar a ampliação dos potenciais turísticos e de transporte. “O paulistano conhece o Tietê como algo sujo, mas um projeto de despoluição muito bom está sendo feito. A qualidade da água na Capital será igual a que temos aqui.”
Gambôa não acredita que acidentes como o que foi registrado durante o feriado prolongado em Cabo Frio (RJ), quando um barco de turistas virou, possam acontecer na região. “Aquilo foi uma fatalidade. Pelo que eu vi nos jornais, o barco estava bem vistoriado. Conheço o delegado da Capitania dos Portos de lá e sei que ele é muito cuidadoso. Aparentemente, o que aconteceu foi um infortúnio. É como se um carro tivesse ficado sem freio.”