Bairros

Fome Zero já começou em Bauru

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Ainda que timidamente, o Programa Fome Zero, do governo federal, já chegou a Bauru. Iniciativas de empresas e da comunidade e a mobilização popular que já começa a pipocar em pontos da cidade são ações que apontam para o início de uma longa caminhada que tem como meta o combate à pobreza e à fome.

O Programa Fome Zero, criado no governo Lula, é composto por diversas ações integradas com o objetivo de erradicar a fome e implementar uma política permanente de segurança alimentar e nutricional.

As ações estão sendo implementadas de forma gradativa e são baseadas em três frentes de atuação: conjunto de políticas públicas; construção participativa de uma política nacional de segurança alimentar e nutricional e o mutirão contra a fome.

Em Bauru, existem 47 entidades assistenciais cadastradas no programa. Algumas delas já começaram a receber doações. Os alimentos estão sendo arrecadados pelos parceiros oficiais do governo federal nessa empreitada - a Caixa Econômica Federal (CEF) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome (Mesa), o governo cadastrou as empresas que já tinham convênios anteriormente firmados. São instituições que o governo considera que podem receber doações em dinheiro, alimentos ou prestações de serviços voluntários.

Os alimentos doados não passam pelo ministério. São distribuídos no próprio município de origem. As empresas parceiras repassam diretamente às entidades cadastradas.

A assessoria de imprensa informa que não haverá, neste primeiro momento, outras medidas estabelecidas diretamente entre o governo e tais entidades, no Estado de São Paulo.

Em 2003, foco principal do Fome Zero será a região semi-árida, concentrada principalmente no Nordeste do País. O governo alega que está atuando com o objetivo de minimizar o impacto da seca que se acentuará em meados de setembro.

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20 mil famintos

Aproximadamente 20 mil pessoas em Bauru estão sujeitas à fome. Essa é a estimativa da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes).

A Prefeitura de Bauru afirma que 5,93% da população não têm qualquer tipo de rendimento e, portanto, depende de assistencialismo para o atendimento das necessidades básicas. Aproximadamente 0,34% dos habitantes da cidade têm rendimento de até meio salário mínimo (R$ 120,00).

O total de pessoas que estão na linha da miséria em Bauru, portanto, de acordo com tais dados, é de cerca de 20.400 (6,27%). A quantidade de cidadãos pobres, entretanto, é bem maior e não há dados oficiais sobre essa população.

Os números são baseados em dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Sead), já que a prefeitura não tem censo próprio.

A secretária municipal do Bem-Estar Social, Sandra Scriptore, afirma que há muito a fazer em Bauru porque a pobreza é bastante grande. Além das 17 favelas, a cidade é cercada por cinturões com diversos bolsões de miséria.

“Há bolsões em todos os bairros. Temos grupos espalhados pela cidade toda - até dentro de um núcleo habitacional há população pobre”. Sandra encara o combate à fome como o combate à pobreza já que a fome é apenas uma das nuances da pobreza.

Ela afirma que ainda não sabe quais são os planos do governo federal para São Paulo e, portanto, para Bauru. “É lógico que queremos o Fome Zero. Temos que fazer com que esse Fome Zero tenha a cara de Bauru e atenda às necessidades da população de Bauru”, observa a titular da Sebes.

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