Ser

Felizes para sempre

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

Como casar-se e separar-se pouco tempo depois hoje em dia é uma coisa corriqueira, a gente até fica admirado quando se sabe de um casal que consegue alcançar as Bodas de Diamante e comemorar 75 anos de união.

Na semana passada, em Iacanga, Rosa Bonasso, 92 anos, e Manoel Bento de Campos, 96 anos, foram homenageados pelas oito filhas, 25 netos, 26 bisnetos e seis tataranetos, numa festa marcada por reencontros e muitas histórias a contar. Duas filhas do casal comemoram Bodas de Prata no mesmo dia.

A história de amor entre Rosa e Manuel começou assim: “Ele era um mocinho novo e jogava malha. Eu morava num sitinho e ele numa fazenda grande perto de Bariri. Eu fiquei gostando do jeito dele. Abanava a mão para ele e ele abanava o chapéu para mim”, recorda-se Rosa.

A aproximação dos dois se deu com uma brincadeira de pular um córrego. Mas a adolescência veio separar o casal.

“Um dia, eu já ia fazer 18 anos, quando cheguei da roça descalça, com um vestido riscado e fui dançar na casa de um senhor negro casado com uma italiana, que tocava uma sanfona que era uma beleza. Eu adorava dançar. Aí ouvi o Manoel falar para o amigo dele: Olha rapaz, eu conheço essa italianinha desde pequena, você sabe que eu estou gostando dela?!”

No sábado seguinte, uma prima de Manoel chamou-a para dançar com o rapaz. “Foi aí que ele falou em casamento”. A noiva conta que o rapaz se prontificou a falar com seu pai, mas ele negou o pedido, dizendo ter ciúme da filha.

No meio da semana, a mesma prima marcou um encontro entre os dois e eles acertaram fugir de casa. O pai do noivo pediu para uma das filhas conseguir um documento e um vestido de Rosa. A moça conseguiu a certidão de nascimento e ganhou da cunhada um vestido azul e um branco.

O sogro acertou o casamento no civil e no religioso e a prima, que serviu de cupido ajudou Rosa a fugir por detrás do chiqueiro, enquanto a mãe costurava sacos para a colheita do arroz. “Eu pulei a janela. O pessoal da colônia sabia que eu ia fugir, menos o pessoal lá de casa.”

Manoel Bento esperava sua noiva, mas esta tinha tanta vergonha que nem na mão do rapaz conseguia pegar.

No dia seguinte, o do casamento, eles andaram uma hora e meia até a cidade para casar no civil. “Mas sem nem relar a mão”, insiste.

E só no outro dia seria a cerimônia na igreja. Os pais de Rosa, já que a menina tinha fugido, acabaram aceitando o casamento. “Fizeram aquela festona. Aí finalmente no sábado eu fui dormir com ele, pois até então eu dormia na cama da cunhada e ele com o cunhado. Foi essa a nossa história.”

O segredo de viver tanto tempo junto está no amor. “Mas não esse amor de hoje. Eu fui respeitada toda a vida.”

Ela teve a primeira filha com um ano e nove meses de casamento, mas conta que sofreu 12 abortos.

Os filhos foram sempre a sua prioridade. Dona Rosa conta que, muitas vezes, o marido saía para jogar baralho e demorava para voltar. “Eu sabia que ele fazia arte, mas fincava o pé e dizia não vou falar nada, vou criar meus filhos.”

Por esse jeito de ser, seu Manoel Bento conta que nunca brigou com a esposa, nem ela discutiu com ele. “Ela falava quer sair, você vai.”

Rosa conta que a mulherada sempre teve inveja da felicidade dos dois. “A vida inteira a gente ficou junto, é coisa de não acreditar. Você acredita nessa festa, nas minhas filhas fazerem bodas junto comigo? A gente é muito feliz.”

Seguindo o exemplo

Na mesma trilha dos pais, duas das filhas do casal Rosa e Manoel Bento também comemoravam 25 anos de casadas. Há 25 anos, elas aproveitaram a festa de Bodas de Ouro dos pais para se casar e sonhavam com o dia em que fizessem Bodas de Prata e tivessem os pais vivos ao seu lado para festejar as uniões tão duradouras.

Floripes de Campos Padin, 55 anos e Gilberto Medeiros Padin, 60 anos se conheceram numa festa em Marilândia, um distrito perto de Arealva, há 32 anos e meio e hoje não escondem a felicidade no casamento.

“Nós temos muita paz, muito amor e dois filhos lindos, o Leandro e a Luana ”, diz Floripes que aponta a honestidade do marido como sua principal qualidade e ainda ressalta que ele é mais organizado que ela. “Desse jeito não tem como não dar certo, né?”, brinca Gilberto.

Na opinião do casal, a união familiar colabora para que os relacionamentos dêem tão certo.

À primeira vista

A história de Eunides Campos Godoy, 52, e Benedito Franco de Godoy, 50 anos, foi fulminante. Ela trabalhava no bar do pai quando Benedito entrou e pediu um conhaque com mortadela.

“Achei estranho, mas isso me chamou a atenção para o rapaz e começamos a paquera”, conta Eunides, que logo depois foi passear na praça onde encontrou o moço acompanhado de um primo. Eles moravam em Ibitinga e tinham ido para Iacanga fazer o “footing”.

“Foi paixão à primeira vista. Ele foi meu primeiro e será o último namorado.” A união dos dois já soma 30 anos e meio entre o namoro e o casamento, e contabiliza três filhas: Lílian, Liliane e Lidiane e dois netos: Natália e Alan, de 6 e 5 anos, respectivamente.

“Eu gostei tanto dela, que estamos juntos até hoje”, declara Benedito. Para ele o segredo da união está na capacidade que o casal tem de dialogar a cada problema. “A gente nunca brigou, nós confiamos e somos muito sinceros um com o outro.”

“Eu sempre digo que não é só na alegria, o que importa é que na tristeza a gente esteja sempre juntos”, finaliza Eunides.

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As bodas

1 ano - Papel 2 anos - Algodão 3 anos - Couro 4 anos - Flores 5 anos - Madeira 6 anos - Ferro 7 anos - Latão 8 anos - Cobre 9 anos - Bronze 10 anos - Estanho 12 anos - Seda 13 anos - Renda 14 anos - Marfim 15 anos - Cristal 20 anos - Porcelana 25 anos - Prata 30 anos - Pérola 35 anos - Coral 40 anos - Rubi 45 anos - Safira 50 anos - Ouro 55 anos - Esmeralda 60 ou 75 anos - Diamante

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