Os membros do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) afirmam que os problemas com a merenda escolar não envolvem somente pagamentos sem a entrega de toneladas de carne. “Temos informações de que ocorreu problema com compra de macarrão e eles disseram que foi resolvido. Também soube de um problema com feijão que não foi entregue”, revela João Piauí Oliveira, ex-presidente do CAE.
As denúncias não chegavam ao conhecimento do CAE, segundo ele, porque a administração encaminhava notas fiscais e documentos de pagamentos para conferência. “É papel, não dá para saber se não entregou. As notas vinham assinadas com informação de que tudo foi conferido. Estive várias vezes com a secretária Isabel Algodoal e ela nunca disse nada”, informa.
Piauí cita o caso do feijão. “Quando surgiu a falta de entrega de feijão eles disseram em seguida que já haviam resolvido. Agora eu me assustei porque estou vendo que o problema é maior do que pensei”, opina.
Uma fonte da administração municipal confirmou que foi paga compra de feijão, que também está pendente. A assessoria jurídica do prefeito está realizando o levantamento de processos relacionadas à merenda. Mas até sexta-feira passada, o processo do feijão ainda não tinha sido localizado.
Indagado sobre o fato durante entrega de cópias de documentos à Câmara, o chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola, disse que não tinha informação sobre este caso.
Já a presidente atual do CAE, Maria Aparecida de Oliveira Santini, ainda revela que a prefeitura também enfrentou problema com um fornecedor de macarrão. “Só soube disso no início do ano porque minha filha me disse que faltou macarrão na merenda. Perguntei para o pessoal da merenda e eles disseram que estavam resolvendo”, aponta. A administração fez um acordo com o fornecedor de macarrão. Mas ainda são desconhecidas as bases do acordo, os valores e as quantidades envolvendo macarrão.
Para o ex-presidente Piauí, a administração prestou informação inverídica para o CAE em relação aos problemas com a carne. “A nota vinha assinada e conferida, mas nós soubemos pelas reportagens que muitas toneladas não foram entregues. Eles não podiam fazer isso com a gente”, menciona. Segundo a prefeitura, só a empresa Bom Bife ainda deve pouco mais de 74 toneladas de carne referentes a contratos de 2001 e 2002.